Reciclagem

Setembro 26 2010

Você acabou de comer em um restaurante fast food e vai jogar no lixo o resto de comida, as embalagens, os copos, os utensílios e os guardanapos. Na coleta de lixo diária no seu bairro, você leva o lixo para a calçada e os lixeiros jogam o conteúdo em um grande caminhão, que leva tudo embora. Talvez você tenha pensado, ao ver o caminhão de lixo partir, onde aquele lixo vai parar.

 


Caminhões despejam lixo em um aterro

 

 

 

 

Os americanos produzem lixo a uma espantosa taxa de quase dois quilos por dia por pessoa, o que significa 600.000 toneladas por dia ou 210 milhões de toneladas por ano! Isso é quase o dobro de lixo produzido por pessoa na maioria dos outros grandes países. O que acontece com esse lixo? Uma parte é reciclada ou reutilizada e outra é incinerada, mas a maioria é enterrada. Neste artigo, vamos ver como um aterro é formado, o que acontece com o lixo lá, quais os problemas associados a um aterro e como eles são resolvidos.

Lixo parado

Mais de 20 mil toneladas de lixo doméstico produzido diariamente em todo o Brasil não são coletadas e vão parar em cabeceiras de rios, valas, terrenos baldios ou são simplesmente queimadas.

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No Brasil uma das grandes preocupações hoje é o crescimento da quantidade de lixo produzido no país - cerca de 180 mil toneladas por dia - média de quase 1 quilo de lixo por habitante. Qual seria a solução para acabar com os chamados lixões?

 

 

 

 

Alguns programas de resíduos sólidos então sendo elaborados pelo Ministério do Meio Ambiente juntamente com a FUNASA (Ação Resíduos Sólidos da Fundação Nacional de Saúde) e outros órgãos. O objetivo é acabar com os lixões e melhorar a qualidade ambiental. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o projeto prevê a implantação, ampliação ou melhoria do sistema de coleta em todos os Estados brasileiros.

Algumas cidades, especialmente nas regiões Sul e Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba), têm alcançado altos índices de produção de lixo, podendo chegar a 1,3 kg por habitante por dia, isso incluindo todos os resíduos manipulados pelo sistema de serviço de limpeza urbana (domiciliares, comerciais, de limpeza de logradouros, de serviços de saúde e entulhos). Outro fator relevante no Brasil é a participação de catadores na segregação informal do lixo.

A solução para o tratamento do lixo no Brasil tem sido a criação de algumas unidades de compostagem/reciclagem. Elas utilizam tecnologias simples, realizando manualmente a seleção dos resíduos. Aos poucos estão surgindo usinas de incineração, principalmente em resíduos de serviços de saúde e de aeroportos, porém, em geral não atendem aos requisitos mínimos ambientais da legislação brasileira, para saber mais sobre a legislação ambiental brasileira consulte a Adequação da Legislação Ambiental Brasileira à Convenção Sobre Diversidade Biológica. Outras unidades de tratamento térmico desses resíduos, tais como autoclavagem, microondas e outros, vêm sendo instaladas com freqüência em algumas cidades brasileiras, mas os custos de investimento e operacionais ainda são muito altos. Para maiores informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos no país acesse o Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos do Governo Federal do Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A quantidade de lixo

Das 210 milhões de toneladas de lixo, ou resíduo sólido, produzidas anualmente nos Estados Unidos, cerca de 56 milhões de toneladas, ou 27%, são recicladas (vidros, papéis, plásticos, metais) ou vão para a compostagem (material orgânico). O lixo restante é descartado e é composto principalmente de papéis, plásticos, material orgânico e madeira (figura 1).

 


Figura 1

 

Como o lixo é descartado

A produção de lixo nos Estados Unidos quase triplicou desde 1960 (figura 2). Esse lixo é tratado de várias maneiras. Cerca de 27% do lixo é reciclado ou vai para a compostagem, 16% é incinerado e 57% é enterrado. A quantidade de lixo enterrada em aterros dobrou desde 1960. Os Estados Unidos ocupam posição intermediária dentre importantes países (Reino Unido, Canadá, Alemanha, França e Japão) em relação a aterros. O Reino Unido lidera o ranking, enterrando cerca de 90% do resíduo sólido em aterros. No caso do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), cerca de 10% dos lixões são aterros com bom manejo. Não números fechados sobre reciclagem no Brasil.

 


Figura 2

 

O que é um aterro

Há duas maneiras de enterrar o lixo:

  • lixão: um buraco aberto no solo, onde o lixo é enterrado e vários animais (ratos e aves) aglomeram-se em torno. Essa é a idéia de aterro que a maioria das pessoas tem;
  • aterro: estrutura cuidadosamente projetada dentro do solo ou sobre ele, onde o lixo é isolado do ambiente a sua volta (lençol freático, ar e chuva). Esse isolamento é obtido através de um revestimento e uma cobertura diária de terra.

     

    • aterro sanitário: aterro que usa um revestimento de argila para isolar o lixo do ambiente
    • aterro de resíduos sólidos urbanos: usa um revestimento sintético (plástico) para isolar o lixo do ambiente à sua volta

 


Lixo carregado e compactado em um aterro

 

A função de um aterro é enterrar o lixo de modo que ele fique isolado do lençol freático, seja mantido seco e não entre em contato com o ar. Sob essas condições, o lixo não sofrerá muita decomposição. Um aterro não é como uma pilha destinada à compostagem, na qual o propósito é enterrar o lixo de modo que a decomposição seja bem rápida.

Proposta do aterro

Para estabelecer um aterro, deve-se estar atento a certas etapas. Existem regulamentos que determinam onde pode haver um aterro e como ele pode funcionar.

Em geral, cuidar do lixo e construir aterros são incumbências do governo local. Antes que uma cidade ou outra autoridade possa construir um aterro, um estudo de impacto ambiental deve ser feito no local proposto para determinar:

  • a área de terra necessária para o aterro
  • a composição base do solo e do leito da rocha
  • o fluxo de água da superfície no lugar
  • o impacto do aterro proposto sobre a vida selvagem e o ambiente local
  • o valor arqueológico ou histórico do local proposto

Primeiro, deve-se indicar se há terra suficiente para o aterro. Para dar uma idéia da quantidade de terra necessária, vamos usar o exemplo do Aterro de North Wake County em Raleigh, Carolina do Norte. O lugar tem um aterro sanitário, fechado desde 1997, e um aterro de resíduos sólidos urbanos em funcionamento. São 0,93081 km2, mas apenas 0,28329 km2 são para o aterro efetivo. O restante da terra é para as áreas de suporte (tanques coletores de escoamento, tanques coletores de chorume, estações de despejo, áreas para uso do solo e áreas neutras de cerca de 15 a 30 metros).

Segundo, a composição base do solo e do leito da rocha deve ser indicada. A rocha deve ser o mais impermeável possível para evitar que vazamentos atinjam os lençóis freáticos. O leito da rocha não deve ter rachadura ou não poderá ser previsto para onde os resíduos poderão escoar. Locais próximos a minas ou pedreiras não devem ser escolhidos, pois essas estruturas freqüentemente estão em contato com o suprimento do lençol freático. Ao mesmo tempo, deve-se ter a possibilidade de abrir poços em vários pontos em torno do local para monitorar o lençol freático ou detectar quaisquer saídas de resíduos.

Terceiro, o fluxo de água sobre a área deve ser estudado. Um excesso de água do aterro não deve escoar para o terreno vizinho ou vice-versa. De modo semelhante, não se deve estabelecer o aterro perto de rios, córregos ou áreas alagadas para que não haja qualquer vazamento potencial do aterro para lençóis freáticos e bacias fluviais.

Quarto, deve-se indicar os potenciais efeitos do aterro e possíveis contaminações à vida selvagem local. Por exemplo, ele não deve estar situado próximo a áreas de procriação de aves migratórias ou locais. Devem-se evitar também locais de pesca.

Por fim, caso o local contenha quaisquer artefatos arqueológicos ou históricos, o aterro não deve ser construído lá.

Completado o estudo de impacto ambiental, devem-se obter autorizações dos governos local, estadual e federal. Além disso, o dinheiro terá que ser levantado a partir de taxas e títulos municipais para a construção e o funcionamento do aterro. O aterro de North Wake County custou cerca de US$ 19 milhões e foi pago através de títulos municipais. Como o financiamento normalmente vem de alguma fonte pública, a aprovação pública deve ser obtida através do governo local ou de um referendo.

Construção do aterro

Completado o estudo de impacto ambiental, concedidas as autorizações e levantado o dinheiro, começa a construção. Primeiro, devem ser construídas vias de acesso ao local do aterro caso elas ainda não existam. Essas vias serão utilizadas para a construção, pelos serviços sanitários e pelo público em geral. Após a construção das vias, o aterro pode ser cavado. O Aterro de North Wake County teve início a 3 metros abaixo da superfície da via.

Partes de um aterro

 


Figura 3. Este corte mostra a estrutura de um aterro de resíduos sólidos urbanos. As setas indicam o fluxo do chorume.

 

As partes básicas de um aterro, conforme mostrado na figura 3, são:

  • sistema de revestimento: separa o lixo e o chorume subseqüente do lençol freático
  • células (velhas e novas): onde o lixo é armazenado dentro do aterro
  • sistema de drenagem da água da chuva: coleta a água da chuva que cai no aterro
  • sistema coletor de chorume: coleta a água infiltrada através do próprio aterro e contém substâncias contaminantes (lixiviação)
  • sistema coletor de metano: coleta o gás metano que é formado durante a decomposição do lixo
  • cobertura ou tampa: lacra o topo do aterro

Cada uma dessas partes é projetada para tratar problemas específicos encontrados em um aterro. Ao abordar cada parte do aterro, vamos explicar como o problema é resolvido.

Sistema de revestimento
O grande objetivo de um aterro, e um dos maiores desafios, é conter o lixo de modo que ele não cause problemas ao ambiente. O revestimento evita que o lixo entre em contato com o solo externo e, principalmente, com o lençol freático. Em aterros de resíduos sólidos urbanos, o revestimento normalmente é algum tipo de plástico sintético durável e resistente a perfurações (polietileno, polietileno de alta densidade, polivinilclorido). Geralmente tem espessura de 30 a 100 milímetros. O revestimento plástico também pode ser combinado com solos de argila compactados como um revestimento adicional. O revestimento plástico também pode ser envolvido por uma manta de tecido (manta geotêxtil) que evitará que o revestimento plástico rasgue ou seja perfurado devido às camadas próximas de cascalho e rocha.

Células (velhas e novas)
Talvez o produto mais precioso e o principal problema de um aterro seja o espaço aéreo. A quantidade de espaço está diretamente relacionada à capacidade e à vida útil do aterro. Caso se aumente o espaço aéreo, pode-se expandir a vida útil do aterro. Para isso, o lixo é compactado em áreas, chamadas células, que contém material de apenas um dia. No aterro de North Wake County, uma célula tem aproximadamente 15,25 metros de comprimento por 15,25 metros de largura por 4,26 metros de altura (15,25m x 15,25m x 4,26m). A quantidade de lixo na célula é de 2.500 toneladas, compactadas em 890,5 quilogramas por metro cúbico. Essa compressão é feita por máquinas pesadas (trator, escavadeira, rolo compressor e graduador) que passam sobre o monte de lixo várias vezes. Feita a célula, ela é coberta por cerca de 15 centímetros de solo, que depois é compactado. As células são dispostas em fileiras e camadas de células adjacentes (cargas).

 


Uma escavadeira prepara uma nova célula em um aterro

Além de comprimir o lixo em células, o espaço é conservado através da exclusão de materiais volumosos, como carpetes, colchões, espuma e material orgânico.

Drenagem de água da chuva
É importante manter o aterro o mais seco possível para reduzir a lixiviação. Isso pode ser feito de duas maneiras:

  • eliminando líquidos dos resíduos sólidos: os resíduos sólidos devem ser testados quanto à presença de líquidos antes de entrar no aterro. Isso é feito passando amostras do lixo por filtros padrão. Se nenhum líquido sair da amostra depois de 10 minutos, o lixo é aceito no aterro;
  • mantendo a água da chuva longe do aterro: para eliminar a água da chuva, o aterro deve possuir um sistema de drenagem. Canos de plástico de drenagem e revestimentos para chuva coletam a água do aterro e a canalizam para valas em torno da base do aterro.

 


Esse cano de drenagem de água da chuva é liberado em um canal de drenagem

Os canais de drenagem estão ao longo da base de um aterro. O cano preto leva gás do aterro até uma estação de bombeamento.

 

Os canais são de concreto ou cascalho e levam água a tanques de coleta para o lado do aterro. Nos tanques coletores, partículas de solo em suspensão decantam e a água é analisada quanto à presença de produtos químicos da lixiviação. Depois da decantação e de a água passar nos testes, ela é bombeada ou pode sair do local.

 


Esse tanque coletor capta água da chuva. O revestimento preto ajuda a canalizar a água e proteger as células encobertas.

Sistema coletor de chorume
Nenhum sistema de eliminação de água é perfeito e ela acaba entrando no aterro. A água infiltra-se através das células e do solo no aterro, assim como ela penetra no pó de café em uma cafeteira. Ao se infiltrar pelo lixo, a água carrega contaminantes (produtos químicos orgânicos e inorgânicos, metais, resíduos biológicos da decomposição), da mesma maneira que pega o café na cafeteira. Essa água com os contaminantes dissolvidos é chamada de chorume e geralmente é ácida.

Para a coleta da chorume, canos atravessam todo o aterro (figura 3). Esses canos drenam o líquido para um cano de lixiviação, que levam o material para um tanque coletor de chorume. O chorume pode ser bombeada para um tanque coletor ou fluir até lá através da gravidade, como no aterro de North Wake County.

 


Um tanque coletor de chorume é projetado para capturar os resíduos contaminados transmitidos para a água que atravessa o lixo em um aterro

No tanque, o chorume é testada para verificar se os níveis de vários produtos químicos (demandas químicas e biológicas de oxigênio, produtos químicos orgânicos, pH, cálcio, magnésio, ferro, sulfato e cloreto) são aceitáveis e podem ser depositados no fundo. Depois de testada, o chorume deve ser tratada como qualquer água de esgoto/lixo. O tratamento pode ocorrer no próprio local ou fora dele. No Aterro de North Wake County, o chorume é liberada na usina de tratamento de água de lixo em Raleigh, onde é tratada e lançada no rio Neuse. Em alguns aterros, há recirculação do chorume, que depois é tratada. Esse método reduz o volume de chorume do aterro, mas aumenta as concentrações dos resíduos contaminados.

Sistema coletor de metano
No aterro, as bactérias decompõem o lixo na ausência de oxigênio (anaeróbico), pois trata-se de um local fechado. Um produto dessa decomposição anaeróbica é o gás do aterro, composto aproximadamente de 50% de metano e 50% de dióxido de carbono com pequenas quantias de nitrogênio e oxigênio. Isso representa um perigo, pois o metano pode explodir e/ou queimar. Por isso, o gás deve ser removido. Uma série de canos está enterrada no aterro para coletar o gás. Em alguns lugares, o gás é liberado ou queimado.

 


Um cano coletor de metano ajuda a coletar o perigoso gás

Uma "chama" de metano é utilizada para queimar o gás do aterro

 

 

Recentemente, o gás dos aterros foi reconhecido como fonte de energia. O metano pode ser extraído do gás e usado como combustível. No North Wake County, uma empresa coleta o gás do aterro, extrai o metano e vende-o para empresas de produtos químicos como fonte de energia para suas caldeiras. O sistema de extração é um sistema de divisão, o que significa que o gás metano pode ir para as caldeiras e/ou como combustível para a queima do gás. A explicação para o sistema de divisão é que o aterro aumentará a produção do gás com o passar do tempo (de 8,5 metros cúbicos por minuto a 35,4 metros cúbicos por minuto) e excederá a capacidade das caldeiras na empresa de produtos químicos. O excesso de gás terá que ser queimado. Não vale a pena investir na conversão do excesso de gás em líquido para a venda.

Cobertura ou tampa
Como mencionado acima, cada célula é diariamente coberta por 15 centímetros de solo compactado. Essa cobertura isola o lixo compactado do ar e evita que pragas (aves, ratos, insetos voadores) se aproximem do lixo. Esse solo ocupa pouco espaço. Como o espaço é um produto precioso, muitos aterros testam lonas impermeabilizadas ou coberturas pulverizadas com emulsões de argamassa ou papel. Essas emulsões podem cobrir o lixo com eficiência, ocupando pouco mais de meio centímetro em vez de 15.

 


Uma lona experimental proporciona cobertura diária das células do aterro

Quando uma parte do aterro é finalizada, ela é coberta permanentemente com uma capa de polietileno de 40 milímetros e também com uma camada de solo compactado com cerca de 60 centímetros. É colocada vegetação nesse solo para evitar a erosão por chuva ou vento. São plantadas grama e puerária. Não são utilizadas plantas, árvores ou arbustos, com raízes profundas para que não entrem em contato com o lixo enterrado e não haja lixiviação.

 


Grama e outras plantas cobrem o aterro de resíduos sólidos urbanos

 

 

Ocasionalmente, o chorume pode vazar através de pontos fracos na cobertura e vir à superfície. Ela é preta e cheia de bolhas. Depois, deixa uma mancha vermelha no solo. Vazamentos de chorume são rapidamente consertados cavando-se a área em volta e preenchendo-a com solo bem compactado para desviar o fluxo do líquido de volta para o aterro.

 


Vazamento de chorume (preta) pode ser visto através de um ponto fraco na cobertura

Monitoramento dos lençóis freáticos
Em muitos pontos em volta do aterro há estações de monitoramento dos lençóis freáticos. São canos submersos para coleta de amostras de água para a análise quanto à presença de produtos químicos da lixiviação. É medida a temperatura no lençol freático. Como a temperatura aumenta quando resíduos sólidos se decompõem, um aumento da temperatura no lençol freático pode indicar vazamento de chorume na água. Se o pH no lençol freático tornar-se ácido, pode ser uma indicação de vazamento de chorume.

 


Um cano para monitoramento do lençol freático fica no centro. Os dois marcadores amarelos em ambos os lados deixam o cano mais visível para que os operadores dos equipamentos não atinjam a estação de monitoramento.

O que acontece com o lixo

O lixo colocado em um aterro ficará lá por muito tempo. Dentro de um aterro, há pouco oxigênio e umidade. Sob essas condições, o lixo não se decompõe com muita rapidez. Na verdade, ao escavar antigos aterros e recolher amostras, encontraram-se jornais de 40 anos de idade ainda legíveis. Os aterros não são projetados para decompor lixo, mas simplesmente para enterrá-lo. Quando um aterro é fechado, o local, e principalmente o lençol freático, deve ser monitorado e preservado por até 30 anos.

 


Mesmo depois do fechamento de um aterro, o lixo enterrado permanecerá lá

 

O funcionamento de um aterro

Um aterro, como o de North Wake County, deve estar aberto e acessível todos os dias. Os clientes normalmente são órgãos do município e empresas de construção/demolição, apesar de moradores também poderem usar o aterro. Um esquema de um aterro com estruturas de suporte é mostrado na figura 4.

 

Figura 4. Esta visão geral mostra as estruturas e as estações de suporte de um aterro. O esquema é baseado na estrutura do Aterro de North Wake County em Raleigh, Carolina do Norte.

Perto da entrada do local há um centro de reciclagem onde os moradores deixam materiais recicláveis (latas de alumínio, garrafas de vidro, jornais, papel misturado, papelão enrrugado). Isso ajuda a reduzir a quantidade de lixo no aterro. Alguns desses materiais estão proibidos de entrar no aterro por lei, pois podem ser reciclados.

 


Moradores jogam o lixo no aterro

Grandes caminhões levam resíduos sólidos urbanos de todas as partes da cidade até o aterro

 

Ao lado do local, há estações de despejo para materiais indesejáveis ou proibidos legalmente. Uma estação de despejo para diferentes materiais é utilizada para pneus, óleo de motor, chumbo, baterias e drywall. Alguns desses materiais podem ser reciclados.

 


Aí está uma estação de despejo para diferentes materiais, em que moradores podem descartar resíduos domésticos perigosos

 

Há uma estação de despejo para resíduos domésticos perigosos como produtos químicos (tintas, pesticidas e outros) que são proibidos no aterro. Esses produtos químicos são descartados por empresas privadas. Algumas tintas podem ser recicladas e alguns produtos químicos orgânicos podem ser queimados em incineradores ou usinas.

Outras estruturas ao lado do aterro são as áreas que fornecem o solo para o aterro, o tanque coletor de escoamento, os tanques coletores de chorume e a estação de metano.

Aterros são estruturas complexas que, quando projetados e administrados de maneira correta, têm uma importante função. No futuro, novas tecnologias chamadas de bioreagentes serão utilizadas para acelerar a decomposição do lixo nos aterros e produzir mais metano.

fonte:Craig Freudenrich, Ph.D..  "HowStuffWorks - Como funcionam os aterros".  Publicado em 16 de outubro de 2000  (atualizado em 27 de junho de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/aterros.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 18:08

Setembro 26 2010

Se você leu Como funciona a reciclagem, sabe que o refugo daquilo que usamos (lixo) é um dos problemas mais graves enfrentados pela população mundial na atualidade, e que a reciclagem tem ajudado - e muito - na melhoria não só ambiental como também social.

Neste artigo, abordaremos especificamente a questão da reciclagem do óleo de cozinha, aprenderemos como é feita esta reciclagem e no que se pode transformar o óleo que você já utilizou, além de aprendermos também como ele é prejudicial ao meio ambiente quando descartado inapropriadamente.

 

 


Imagem cedida por Jornal da Cidade - Ouro Fino
Óleo de fritura

 


Óleo de cozinha e o meio ambiente

O óleo de cozinha é altamente prejudicial ao meio ambiente e quando jogado na pia (rede de esgoto) causa entupimentos, havendo a necessidade do uso de produtos químicos tóxicos para a solução do problema.
Muitos bares, restaurantes, hotéis e residências ainda têm jogado o óleo utilizado na cozinha na rede de esgoto, desconhecendo os prejuízos que isso causa.

Jogar o óleo na pia, em terrenos baldios ou no lixo acarreta três fins desastrosos a esse óleo:

  • permanece retido no encanamento, causando entupimento das tubulações se não for separado por uma estação de tratamento e saneamento básico;
  • se não houver um sistema de tratamento de esgoto, acaba se espalhando na superfície dos rios e das represas, causando danos à fauna aquática;
  • fica no solo, impermeabilizando-o e contribuindo com enchentes, ou entra em decomposição, soltando gás metano durante esse processo, causando mau cheiro, além de agravar o efeito estufa.

Não jogar óleo em fontes de água, na rede de esgoto ou no solo é uma questão de cidadania e por isso deve ser incentivada.

Na próxima seção, veremos as possíveis soluções para que o óleo de cozinha tenha um destino proveitoso.

Soluções para reciclagem do óleo de cozinha

Para evitar que o óleo de cozinha usado seja lançado na rede de esgoto, várias cidades em todo o Brasil têm criado métodos de reciclagem. Diversas são as possibilidades de reciclagem do óleo de fritura, entre outras finalidades destacam-se a produção de resina para tintas, sabão, detergente, glicerina, ração para animais e biodiesel.

 

 


Imagem cedida por Disque Óleo Vegetal Usado
Empresa de reciclagem de óleo de cozinha

 

 

Exemplo de que a iniciativa pelo ambiente através da reciclagem tem dado certo é a premiação da pesquisa sobre produção de biocombustível a partir do óleo de cozinha, da Universidade de São Paulo (USP) - um dos quatro programas vencedores da edição de 2007 do projeto Jovens Embaixadores Ambientais, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em parceria com a Bayer.
Com o projeto Biodiesel em casa e nas escolas, que envolve universitários, escolas e empresas, cerca de 100 toneladas de óleo de cozinha mais uma vez tem um destino produtivo - transformar-se em combustível 100% renovável!

A transformação do óleo de cozinha em energia renovável começa pela filtragem, que retira todo o resíduo deixado pela fritura, depois é retirado toda a água que está misturada a esse óleo. Dependendo do óleo, ele passará por uma purificação química que retirará os últimos resíduos. Esse óleo "limpo" recebe a adição de álcool e uma substância catalisadora. Colocado no reator e agitado a temperaturas específicas transforma-se em biocombustível e após o refino pode ser usado em motores capacitados para queimá-lo. (Fonte: Wladimir D'Andrade / Estadao.com.br)

 

Sabão feito com óleo de cozinha

Ingredientes
2 litros de óleo de cozinha usado
350 g de soda cáustica em escama
350 ml de água

Modo de preparo
Dissolva a soda cáustica na água em uma vasilha reforçada, pode ser uma lata de tinta de 18 litros. Reserve.
Coloque o óleo, já coado, em um recipiente e leve ao fogo até aquecer em temperatura aproximada a 60ºC. Apague o fogo e, em seguida, acrescente a soda, já dissolvida, e mexa até engrossar por 20 a 30 minutos. Despeje o conteúdo em fôrmas de sabão e aguarde a secagem.

IMPORTANTE: ao dissolver a soda cáustica, use luvas e óculos de proteção para evitar acidentes.
LEMBRE-SE: deixe o sabão em descanso depois de pronto por alguns dias, antes de usá-lo.

 

 

No Distrito Federal, o óleo de cozinha usado terá um novo destino, quando começar a funcionar a primeira usina de biodiesel a partir de óleo de cozinha.
O terreno com 20 mil metros foi cedido pelo governo do Distrito Federal e abrigará o empreendimento da Ecobrás - empresa brasiliense Eco Brasília Diesel. A expectativa é criar em torno de 250 empregos diretos e mais de 10 mil indiretos com o projeto.

 

Solução antiga

Com pequenas adaptações num motor a diesel, o engenheiro mecânico paranaense, Thomas Fendel, passou a usar um carro movido a OVN - óleo vegetal natural; abraçando um projeto do engenheiro alemão Rudolf Diesel. Diesel, em 1897, utilizou óleo de amendoim no motor de seu carro.

O Detran (Departamento Estadual de Trânsito) - alegando incapacidade técnica - recusava-se a licenciar seu veículo, então Fendel requereu ao Poder Judiciário de vários estados a autorização para adequar seus veículos ao uso do biocombustível OVN.

Agora, Fendel, por força de uma medida concedida, tem o primeiro veículo movido a OVN - óleo vegetal natural - regularizado junto ao Detran no Brasil.

 

 

Na próxima seção, conheceremos algumas regiões brasileiras que têm se mobilizado na organização da reciclagem do óleo de cozinha.

Organizando a reciclagem do óleo de cozinha

Em algumas capitais brasileiras são as prefeituras que estão se mobilizando, em outras, é a própria população através de organizações não-governamentais.


Ribeirão Preto: possui o projeto Cata óleo numa parceria da USP e o Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas). Os interessados recebem um recipiente para armazenar o óleo. O caminhão do laboratório passa recolhendo o produto em datas pré-estabelecidas.

Todo o óleo recolhido na cidade será usado na produção do biodiesel. Hoje são recolhidos cerca de 20 mil litros de óleo por mês com os comerciantes, no entanto, o interesse é atingir a população e aí receber cerca de 160 mil litros mensalmente.
Informações: interessados em participar do projeto podem entrar em contato com o Ladetel pelo telefone (16) 602.3734.

 


Imagem cedida pela Prefeitura Municipal de Curitiba
Caminhão de coleta de óleo de cozinha

Curitiba: a Prefeitura Municipal de Curitiba lançou o serviço de coleta especial de óleo de fritura. O recolhimento está sendo feito em 78 pontos do Câmbio Verde (programa de recolhimento de lixo reciclável) e nos 21 terminais de ônibus da cidade. Quando é feita a entrega nestes postos, dois litros de óleo dão direito a um quilo de hortifrutigranjeiros, incentivando ainda mais a população.

Depois de recolhido, o óleo de fritura é encaminhado para a reciclagem, onde é transformado em sabão, detergente e matéria-prima para fabricação de outros produtos.
Para ser entregue, o óleo deve ser armazenado em garrafas pets, de preferência transparentes.

 

Informações: os dias e horários da coleta podem ser obtidos pelo telefone 156 ou na página da prefeitura na internet - www.curitiba.pr.gov.br

 

ABC Paulista: o Instituto Triângulo tem sido o exemplo na reciclagem de óleo de cozinha em São Paulo. Equipes vão até o local solicitado para a coleta, desde que se tenha um mínimo de seis litros para solicitar o recebimento. A entrega do óleo em São Paulo também pode ser feita na rede de supermercados Pão de Açúcar ou na Ong Trevo e Samorcc (Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César).

 

Informações: Instituto Triângulo (11) 4991-1112 - www.triangulo.org.br

 

 

Florianópolis: a coleta é feita pela Universidade Federal de Santa Catarina que, desde o ano passado, desenvolve o projeto chamado Família Casca, em que recupera o óleo de cozinha e o transforma em combustível. No entanto, o projeto coleta o produto apenas na região próxima à universidade.
Outra maneira de dar um fim útil ao óleo de bares e restaurantes na cidade é por meio da Associação Industrial e Comercial de Florianópolis, a Acif, que dirige o programa ReÓleo.
Informações: www.acif.org.br

Rio de Janeiro: o óleo que seria jogado pode ser levado para os postos implantados pelo Programa de Reaproveitamento de Óleos Vegetais, o Prove, firmado entre a iniciativa privada, a Refinaria de Manguinhos e a Secretaria de Meio Ambiente do Rio. Entre os postos de coleta está o Circo Voador. Outro meio de colaborar é ligar para o Disque-Óleo: basta entrar em contato para a equipe desse programa visitar sua casa
Informações: Disque-Prove: (21) 2598-9240 Disque-óleo: (21) 2260-3326 www.disqueoleo.com.br

Salvador: o engenheiro químico Luciano Hocevar é o responsável pela Renove, Reciclagem de Óleos Vegetais, e pela picape que passa pelas casas da cidade fazendo a coleta do óleo de cozinha.
Informações: (71) 9979-2504 - www.renoveoleo.com.br

Porto Alegre: a Prefeitura de Porto Alegre, através do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), realiza o Projeto de reciclagem de óleo de fritura. São 24 locais de coleta do produto, que será transformado entre outras coisas em resina de tintas, sabão e biodiesel. Foi assinado convênio entre o DMLU e três empresas, que recolherão óleos de cozinha entregues pela população e os encaminharão para reciclagem.
Informações: http://funverde.wordpress.com

O sucesso destes programas de reciclagem de óleo de cozinha depende inteiramente da participação da comunidade. Todos esses programas de coletas, sejam governamentais ou não-governamentais, oferecem todas as informações necessárias para a reciclagem do óleo e também esclarecimentos sobre proteção ambiental, justamente para inserir a sociedade na responsabilidade ecológica.

Para mais informações sobre reciclagem de óleo de cozinha e assuntos relacionados, confira os links na próxima página.

fonte:Ana Cristina Neves.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem do óleo de cozinha".  Publicado em 20 de setembro de 2007  (atualizado em 18 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-oleo-cozinha.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 18:04

Setembro 26 2010

Desde 1999, as indústrias de pneus brasileiras têm que dar uma destinação ambientalmente correta para os pneus usados, graças à resolução 258 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Desde então, as empresas são obrigadas a correr atrás para tentar conseguir aproveitar e sistematizar a coleta de pneus.

Na natureza, o passivo ambiental de um pneu é caro. O produto pode demorar muito para se decompor naturalmente. As estimativas chegam a 600 anos até ele virar pó (Fonte: Recicláveis.com). Além disso, quando queimado ao ar livre, o pneu solta uma fedorenta fumaça negra, que obviamente é poluente. No leito dos rios, eles atrapalham o fluxo natural das águas. E jogar pneu fora, em qualquer lugar, depois de recauchutá-lo várias vezes, parece ser uma prática indiscriminada. Apesar de não haver um dado oficial ou sistematicamente pesquisado, as estimativas são de 30 milhões de pneus jogados por ano (Fonte: Akatu). De qualquer modo, somente na limpeza do rio Tietê, entre 2002 e 2006, 120 mil pneus foram encontrados jogados nas águas poluídas do rio paulista (Fonte: Estadão). Aliás, os pneus cheios de água foram considerados os grandes demônios da época da dengue.

 

30 milhões de pneus sem destino
Luís Indriunas
São 30 milhões de pneus jogados fora todos os anos no Brasil

 

Do outro lado, o Brasil é um grande reformador de pneus, só perdendo para os Estados Unidos em termos de faturamento e volume. O setor gera uma receita de R$ 5,6 bilhões ao ano (dados de 2007). São 7,6 milhões pneus reformados para caminhões e ônibus, 8 milhões para automóveis, 2 milhões para motos e 300 mil para veículos agrícolas ou off roads anualmente, num total de 17,9 milhões, segundo a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR). Cerca da metade dos pneus usados é reaproveitada, são os chamados pneus meia-vida. Levando em conta o valor de 63 milhões de pneus novos produzidos por ano (Fonte: Anip - Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), é como se o Brasil conseguisse reformar bem menos da metade, ou 28%, do que é produzido por ano.

Entre as razões para o sucesso da reforma ou recauchutagem, obviamente, está o poder aquisitivo, ou melhor, a falta de poder aquisitivo do brasileiro. Aliás, a reforma de pneus tornou-se um questão política, provocando a conhecida “guerra dos pneus”, que será explicada nas próximas páginas.

De qualquer modo, há ainda o chamado pneu inservível, que não pode ser recauchutado ou reformado. Uma destinação para ele é o grande desafio não só no Brasil como no resto do mundo. Segundo a Anip, desde a publicação da resolução, em 1999, até 2007, foram 700 mil toneladas de pneus reaproveitados de várias formas (como componente energético, matéria-prima para outros produtos etc.). Esse número equivale a 139 milhões de pneus de automóveis, o que dá cerca de 18 milhões por ano. Obviamente, ainda é muito pouco, se lembrarmos a estimativa de 30 milhões de pneus jogados fora por ano.

Como é possível ver, a situação não é fácil, mas os caminhos estão aí. Bom, de qualquer modo, é importante conhecer um pouco desses processos e também a polêmica história da Guerra dos pneus. Ah, e aliás, qual a diferença entre um pneu recauchutado e um recapado.

Qual a diferença entre o recapado, o recauchutado e o remoldado?

Reaproveitar um pneu significa economia e diminuição dos impactos ambientais do seu processo de produção. Segundo a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), o sistema de reaproveitamento emprega apenas 25% do material usado em um pneu novo. A associação, no entanto, não tem uma estimativa do gasto energético de um processo como esse. Bom, mas afinal qual a diferença entre os vários pneus reformados? A seguir uma explicação rápida dos vários tipos:

  • Recauchutados – é substituída somente a borracha desgastada da banda de rodagem e dos ombros.
  • Recapados - substitui-se somente a borracha desgastada da banda de rodagem em contato com o solo. Utilizado exclusivamente aos pneus de transporte de carga (caminhões, ônibus),
  • Remoldados - substitui toda a banda de rodagem e os flancos, sendo toda a parte externa do pneu revestida com nova camada de borracha. Nessa reforma, as informações do pneu original – tais como: origem, data de fabricação, capacidade de carga, índice de velocidade, nome do fabricante - são eliminadas pela nova camada de borracha.


A reforma de pneus perdeu força no país depois da chamada “guerra dos pneus”, cuja história você vai conhecer na próxima página. De qualquer modo, antes de adquirir um pneu reformado, é preciso ter cuidado e tentar comprar em lugares em que você pode confiar. Afinal, eles podem ser perigosos para você. Bom, vamos, então, à “guerra dos pneus”.

A guerra dos pneus

Em 1995, a imprensa brasileira começou a noticiar o que foi batizado de a “guerra dos pneus”. A briga, no entanto, já vinha acontecendo sem holofotes desde 1991, quando o governo federal proibiu a importação de produtos usados no Brasil.

Resumidamente, este confronto de mais de uma década foi uma briga política e judicil entre a Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados (Abip) e a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). Na época, a Abip procurou autorização para importar pneus usados, principalmente da Europa. Para os europeus, exportar os pneus era uma grande vantagem. Por lei, eles são obrigados a dar um fim aos pneus usados quando não reutilizados de alguma forma. O processo de reutilização do pneu não é barato, além do mais, não há cultura de remoldagem e recauchutagem no chamado velho mundo. Para as indústrias remoldadoras brasileiras, a vantagem estava em receber contêineres com material barato, aliás muito barato, já que as empresas européias arcavam com o custo. Como o mercado de recauchutagem europeu é quase inexistente, muitos pneus meia-vida de boa qualidade vinham direto ou praticamente direto para o mercado consumidor. No entanto, ambientalistas e a Anip chiaram e muito. Para os ambientalistas, o passivo ambiental dos pneus usados no Brasil é muito grande para deixar que mais pneus cheguem no país, em vez de procurar soluções para os problemas de resgate dos usados no Brasil. Para a Anip, era dar o braço a torcer para concorrentes de vários tamanhos.

Os capítulos seguintes da guerra foram cheios de vai-e-vem. Em 1994, uma portaria do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) decidiu pôr fim à proibição da importação. Mas as indústrias contestaram na Justiça e conseguiram a abertura. Tanto que em 1999 a empresa BS Colway, considerada a maior fábrica de pneus remoldados do mundo, instala-se no Brasil para usar pneus usados importados da Europa. Em 2003, o governo Lula voltou a proibir a importação a partir do decreto 4.592, mas o Uruguai entrou na briga. O país vizinho começou a receber os produtos importados e, por força dos acordos do Mercosul, conseguiu brechas para levar os pneus para o Brasil. As duas últimas e decisivas batalhas foram na Organização Mundial do Comércio (OMC) e no Supremo Tribunal Federal (STF). No primeiro palco, o Brasil venceu a União Européia, que exigia que o país aceitasse os pneus usados. No segundo palco, os ministros do tribunal decidiram suspender todas as liminares que as empresas de pneus remoldados conseguiram na Justiça, para importar mais pneus. As duas decisões aconteceram em dezembro de 2007.

Para o Brasil, o resultado negativo foi o fechamento de uma grande indústria, a BS Colway. Mas os aspectos positivos parecem ter sido compensadores. O país deixou de receber o passivo ambiental de outros países. Além disso, com toda essa discussão à tona, as indústrias de pneus novos passaram a ser obrigadas a cuidar do seu passivo ambiental, tendo que se organizarem para colher e reaproveitar o material, em vez de fingir que não viam as toneladas de pneus nos leitos de rios e aterros sanitários brasileiros.  O ambiente agradece.

O que acontece com os pneus inversíveis?

Aqui está o grande desafio para a questão dos pneus no mundo hoje: dar um fim econômico e ambientalmente satisfatório para os pneus inservíveis. A questão é complicada. Primeiro, porque não há um recolhimento sistemático desse material. Atualmente, a Reciclanip, braço da reciclagem da Anip, vem se esforçando, fechando parcerias, principalmente, com as prefeituras para criar centros de recolhimento de pneus, que eles chamam Ecopontos.  Até agosto de 2008,  237 municípios já haviam aderido ao programa, com mais de 300 postos de recolhimento. Segundo porque há uma série de custos que a indústria de pneus tem que arcar.

Mas o que é possível fazer com o pneu, digamos, “fim de linha”? Há várias saídas para esse pneu, além do tradicional vaso de pneu ou balanço para crianças que existem em vários sítios e parques urbanos. Eles podem se transformar em solados, percintas usadas na estrutura de móveis estofados, como asfalto, componente em tijolos de concreto e também como matéria-prima para produção de energia em cimenteiras, por exemplo. E o pessoal da permacultura tem também testado o uso de pneus para construção de casas. Veja alguns exemplos, clicando aqui.

Segundo a ABR, 80% dos pneus radiais vão para os fornos de cimenteiras. Mas é preciso preparar o material. O ComoTudoFunciona visitou uma dessas áreas coordenada pela Reciclanip e explica passo a passo como o pneu é preparado para os fornos.

 

Reciclagem de pneus
Luís Indriunas
Uma máquina arranca os fios dos pneus radiais

 

O primeiro passo é tentar, nos pneus radiais, tirar o máximo dos componentes que não são a borracha, como cobre e outros metais.
Isso é feito um a um através dessa máquina (imagem acima) que puxa
o pneu para que do outro lado saiam os fios de metal.

 

 

Reciclagem de pneus
Luís Indriunas
Esse resto vai para outra empresa que o aproveita

 

Operário retira os fios de cobre da máquina
que seguem para a reciclagem em outra empresa.

 

 

Reciclagem de pneus
Luís Indriunas
Eles chegam à esteira

 

Em seguida o pneu vai para um esteira,
por onde segue para a moagem.

 

Reciclagem de pneus
Luís Indriunas
Os pneus começam a ser moídos

 

 

 

Reciclagem de pneus
Luís Indriunas
A máquina despeja os retalhos

 

Reciclagem de pneus
Luís Indriunas
Os retalhes seguem para as cimenteiras

 

fonte:Luís Indriunas.  "HowStuffWorks - Como funciona o reaproveitamento ou reciclagem de pneus".  Publicado em 23 de setembro de 2008  (atualizado em 25 de setembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-pneus.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 18:02

Setembro 26 2010

O vidro é um produto 100% reciclável. É possível aproveitá-lo de várias formas. A mais simples e visível é a embalagem retornável de refrigerante ou cerveja. É verdade, que as garrafas Pets concorrem diretamente com essas embalagens, mas há muitos lugares no Brasil e no mundo onde o velho litro de Coca-cola, que sai mais barato, ainda é uma presença marcante, assim como a garrafa de cerveja retornável. Além disso, quem não tem em casa aquele pote de maionese ou geléia que depois recebeu uma outra finalidade? Afinal, lavando bem, qualquer embalagem de vidro não deixa nenhum resquício do gosto do produto que antes esteve lá, ao contrário das embalagens de plástico, que quando recicladas têm seu uso proibido para produtos alimentícios.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas
Garrafas de vários tipos ou retalhos de vidros,
muita coisa pode ser usada na reciclagem


Além disso, os cacos de vidro são também reutilizáveis com praticamente 100% de reaproveitamento. A utilização dos cacos na fabricação proporciona, obviamente, uma economia de matéria-prima, além da redução do dispêndio de energia. Para uma tonelada de vidro reciclado, evita-se a retirada de 1,2 tonelada de matéria-prima da natureza. Quanto à questão energética, em um produto com 10% de cacos, é possível reduzir 4% da energia que seria gasta (Fonte: Abividro). Outra vantagem de reciclar o vidro é que evita-se que se jogue na natureza um produto que não é biodegradável. Arqueólogos já encontraram pedaços de vidro datados de 2 mil aC intactos em escavações (Fonte: Nassour). Um dos maiores problemas da reciclagem de vidro é sua logística. Apesar de já serem tradicionais as fábricas de reaproveitamento de garrafas (o velho garrafeiro), o seu crescimento ainda é recente, provocado pela onda de adesão à reciclagem dos últimos anos. Além disso, há certos limites técnicos para a reciclagem.

Entenda um pouco mais sobre esses e outros detalhes da reciclagem de vidro nas próximas páginas.

Em 16 anos, reaproveitamento triplicou

­­De 1991 para 2007, o índice de reciclagem de embalagens de vidro no Brasil cresceu de 15% para 47% (veja tabela abaixo). Essa mudança foi possível depois que a reciclagem começou a fazer parte da pauta das indústrias, dos políticos e do cidadão comum. A ampliação das cooperativas de catadores e, indiretamente, a ampliação do sistema de reciclagem de latas de alumínio ajudaram o crescimento.

­
Índice de reciclagem de embalagem
de vidro no Brasil
1991 15%
1992 18%­
1993 25%
1994 33%
1995 35%
1996 37%
1997 39%
1998 40%
1999 40%
2000 41%
2001 42%
2002 44%
2003 45%
2004 45%
2005 45%
2006 46%
2007 ­47%
Fonte: Abividro



Cerca de 3% do lixo brasileiro são compostos de vidros, mas, há algumas limitações. Entre elas a constatação de que existem certos tipos de vidros que não podem ser reciclados. Por exemplo, os temperados. Por isso, as estatísticas acima são apenas das embalagens de vidro como as garrafas. Obviamente, outros tipos de vidros podem ser beneficiados como os de uso doméstico. Mas as pessoas jogam muito menos copos de vidro do que de garrafas no lixo, não é?

Outra limitação é que muitos catadores priorizam outros produtos em relação ao vidro como os papéis ou as latas de alumínio. Entre os motivos, claro, está a segurança, afinal, papel não corta as mãos e latas não se estilhaçam. Além disso, o vidro paga pouco nesse mundo da reciclagem em relação a outros produtos. Por um quilo de vidro, o catador recebe R$ 0,21 (dados de 2008), já um quilo de latinhas sai por R$ 3,70. É bem verdade, que um quilo de vidro se faz com três embalagens, enquanto um quilo de lata de alumínio é formada por mais de 70 latinhas, segundo o consultor de recilagem da Abividro, Stefan David.

Importante no ciclo, o catador não é o único fornecedor da reciclagem. As chamadas fontes difusas, que englobam as cooperativas, são responsáveis por 40% dos vidros velhos e quebrados que entram na reciclagem. Outros 40% vêm das indústrias de envase; 10%, de estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes ou hotéis e 10 % são refugo da própria indústria de vidros. (Fonte: RTS).

Todo esse vidro que entra nas indústrias de processamento acaba sendo parte do material que se transformará em vidro. As técnicas mais avançadas conseguem até 95% de reaproveitamento do caco em uma embalagem nova. É o chamado limite técnico, que poucos países conseguem atingir. A Suíça é a mais avançada nesse setor. No Brasil, a mistura de caco varia de 45% a 55%.

Mas antes de você conhecer o processo de reciclagem do vidro, conheça um pouco mais sobre ele mesmo. ­

O que é vidro?

 

Sólido ou líquido?

O vidro parece sólido, mas, na verdade, é líquido. A definição científica para o vidro é " um liquido de elevada viscosidade que foi super-resfriado sem ocorrência de cristalização".

O vidro é um dos produtos mais antigos da história. Egípcios e mesopotâmicos já usavam-no como jóia. E ele existe naturalmente em pequenos cacos na natureza quando ocorre, por exemplo, uma erupção vulcânica próxima aos locais onde há suas matérias-primas. A descoberta, no entanto, é atribuída aos fenícios. Segundo o historiador romano, Plínio, o Velho, os mercadores da Fenícia foram acampar e descansar na praia e fizeram uma fogueira. Acidentalmente, o salitre que eles carregavam entrou em contato com a areia e o fogo e transformou-se em vidro (Fonte: Vidroonline).

Basicamente, vidro é feito de areia, ou seja, sílica ou dióxido de silício (SiO2), barrilha (Na2CO3) e calcário (CaCO3). Mas, ainda com os romanos, o vidro recebia outros componentes como ferro ou chumbo como ornamentação. (Fonte: Molina) Basicamente, o processo de fabricação do vidro consiste em aquecer as matérias-primas a 1.600 º C e moldar a peça durante o seu resfriamento.

A famosa técnica do sopro para produção de utensílios surgiu há mais de 2 mil anos entre os simérios e perdurou praticamente exclusiva por séculos. Outras técnicas foram surgindo, principalmente, durante o século 19 e depois no século 20. Foi nessa época, por exemplo, que o belga Émile Fourcault inventou um processo mecânico responsável por estirar a massa do vidro. Já o vidro temperado surgiu em 1925. Outras técnicas como os fornos contínuos e equipamento automáticos começaram a ser inventados e usados nesse período (Fonte: Pinkgton e Abrividro). Aliás, você sabe a diferença do vidro temperado, do blindado ou comum?

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas
Garrafas de vidro são os tipos mais usados nas reciclagens

Quando for mandar vidros para reciclagem é preciso seguir algumas regras. A principal é que não se deve mandar vidros temperados (aqueles que quebram mas não cortam) e técnicos como os de lâmpadas ou de tubos de televisão. Os vidros temperados tem um processo de fabricação diferenciado. Eles têm um aquecimento com temperaturas menores e um resfriamento controlado. O processo é repetido vários vezes provocando a criação da têmpera, o que prejudica a reciclagem. O vidro laminado, como o próprio nome diz, são várias lâminas de vidro juntas. Já o vidro blindado ou, à prova de balas, contém uma camada de resina que evita estilhaça-lo e também que o projétil ultrapasse o limite do vidro.

Além desses tipos, existem as fibras de vidro, que são filamentos de vidro de pequeno diâmetro, de alta resistência elétrica, revestidos com outros compostos. A lã de vidro é um tipo de fibra de vidro. E esses materiais ainda não têm processo industrial para reciclagem.

Bom, agora que você conhece o vidro, veja como ele é reciclado.

Processo de reciclagem

­O reaproveitamento dos cacos para a confecção de novos vidros pressupõe uma certa homogeneidade no tipo de material a ser reciclado. Assim, os vidros de cor âmbar, como os de garrafa de cerveja, são beneficiados num grupo separado dos vidros verdes ou brancos, por exemplo. Há também grupos que podem estar misturados. Esses podem ser usados para quem não necessita de padrões muito rígidos e homogêneos.

 

­

­reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Bom, separados os tipos, o processo de preparação é bem simples.

 

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

O material é jogado para ser quebrado em pedaços. O que a máquina não quebra é quebrado manualmente.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Depois, ele passa por uma lavagem, quando são retiradas impurezas mais leves como etiquetas e restos de bebidas.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Uma nova triagem retira tampas e eventuais plásticos e papéis que, por ventura, ficaram. Na esteira, ele caia no monte que segue para a indústria de vidro.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Na indústria de vidro, o caco é jogado nos fornos com temperaturas de 1.500º C e se mistura às outras substância.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas


Uma interessante fase do processo é o reaproveitamento dos vidros que sobram grudados em tampas ou outro produto. Uma máquina quebra o vidro em minúsculos pedaços que servem para polimento de fornos de usinagem.

fonte:Luís Indriunas.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem de vidros".  Publicado em 24 de outubro de 2008  (atualizado em 29 de outubro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-vidro.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 17:34

Setembro 26 2010

São 1,2 bilhão de pilhas e 400 milhões de baterias de celular comercializadas por ano no Brasil, segundo dados do Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica - Abinee. Assim, como essa quantidade enorme chega às mãos do consumidor, uma quantidade também enorme delas sai das mãos do consumidor. E a grande maioria vai para a lata de lixo comum.

 

Recicalgem de pilhas

Tal informação não deveria preocupar, já que, desde 2000, todas as pilhas produzidas no Brasil têm quantidades mínimas ou quase nulas dos metais pesados mais poluidores como cádmio, mercúrio e zinco, dentro do que está estabelecido pela resolução 257 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), editado em 1999. Pela lei, o perigo da poluição por metais pesados em pilhas e baterias é mínimo e assim, qualquer um poderia fazer coro com boa parte dos empresários do setor que diz que é possível jogar as pilhas no lixo. O problema é que a realidade brasileira não é nada animadora. Primeiro que a instrução de jogar no lixo é válido se o houver um bom manejo do aterro sanitário, o que é uma realidade existente em apenas 10% dos aterros brasileiros, segundo estimativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Além disso, nem toda pilha que você compra está dentro do padrão já que 33% do mercado são formados pelas chamadas “baterias ilegais”. Ou seja, cerca de 400 milhões de pilhas e baterias vêm de contrabando e outras origens, sem nenhuma segurança de que elas acompanham as medidas do Conama.

Além dessa dura realidade do mercado brasileiro, os críticos das decisões do Conama lembram ainda que as quantidades sejam mínimas, na verdade, não refrescam muito e o perigo de poluição continua, já que são milhões de pilhas descartadas.

Incipiente no Brasil, a reciclagem ou reaproveitamento das pilhas e baterias é mínimo, tendo apenas uma fábrica em 2008 que a fazia, reciclando cerca de 6 milhões de pilhas e baterias por ano, menos de 1% do comercializado. Trata-se da Suzaquim. Outras empresas de baterias de celulares, por exemplo, colhem o material e enviam para recicladoras fora do Brasil.

Entregar para a reciclagem é a parte que qualquer consumidor pode fazer. Mas para um consumidor com fome por consciência ecológica, um bom caminho é saber como é essa reciclagem para que ela se torne uma realidade maior no futuro, além de conhecer um pouco melhor os produtos derivados. Vamos lá.

As matérias-primas e os danos

Há vários tipos de pilhas que se diferenciam não só no tamanho como também nas utilidades e matéria-prima. Vamos a uma pequena lista.

Comuns – feitas de zinco e manganês. Têm várias utilidades como em brinquedos, rádio-relógios, walkmans, máquinas fotográficas, controles-remotos etc.

Alcalinas – feitas de alcalina e manganês. Têm várias utilidades como em brinquedos, rádio-relógios, walkmans, máquinas fotográficas, controles-remotos etc.

De níquel-metal-hidreto - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks.

De zinco - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks.

De lítio - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks

De íon-lítio - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras, ipods e notebooks

De chumbo – as baterias de carro, além de serem usadas em indústrias e em filmadoras.

De níquel-cádmio – usadas em telefones sem fio, celulares, barbeadores etc.

De óxido de mercúrio – usadas em instrumentos de navegação e aparelhos de instrumentação e controle.

Os três últimos tipos de baterias são as mais danosas ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos. A necessidade de devolvê-las aos fabricantes para um destino adequado é essencial. Já os outros tipos têm um impacto menor na saúde e no meio ambiente, mas é bom lembrar que nem por isso, elas deixam causar algum dano. Abaixo, veja quais os principais problemas de cada um desses materiais.


Chumbo - é prejudicial ao cérebro e  sistema nervoso, pode afetar o sistema circulatório rins, sistema digestivo e reprodutor, eleva a pressão arterial, agente cancerígeno acarretando mutação genética. É altamente tóxico.

Cádmio - é um agente cancerígeno, provoca mutações genéticas nas células alterando sua função e pode causar danos ao sistema reprodutivo.

Cromo - causa dermatites, úlceras cutâneas, inflamação nasal, câncer de pulmão e perfuração do septo nasal.

Mercúrio - pode provoca efeitos danosos na pele e mucosas, náuseas violentas, vômito, dor abdominal, diarréia com sangue, danos aos rins e até morte. Em outros casos, a intoxicação pode ser crônica com sintomas como tremores, vertigens, irritabilidade e depressão, associados à salivação, estomatite e diarréia, falta de coordenação motora, perda de visão e audição e deterioração de células nervosas.

Zinco
– Em grandes quantidades, há sintomas como sensações como paladar adocicado e secura na garganta, tosse, fraqueza, dor generalizada, arrepios, febre, náusea e vômitos.

Manganês – o excesso de manganês ingerido impede a atuação do Ferro na produção de hemoglobina, causando irritabilidade, dores de cabeça, insônia e fraqueza nas pernas.

Níquel – apesar de um elemento importante para o desenvolvimento humano,  mas em doses elevadas pode causar irritação gastro intestinal, náuseas, vômitos, diminuição de apite, vertigens, dor-de-cabeça, palpitação, dermatite e asma.

Onde jogar fora as pilhas e baterias

Como já foi dito, para alguns tipos de pilhas e baterias, é imprescindível um descarte correto. É o caso principalmente das que têm uma advertência no corpo do produto com um x em uma lata de lixo. De qualquer modo, a iniciativa de jogar em lixo com destinação certa pode amenizar o problema que já apontamos, mesmo que não haja nenhuma indicação específica, além de ser um caminho contra o desperdício.

 

Aviso nas baterias
©2008 ComoTudoFunciona
Preste atenção, algumas baterias não podem ir para o lixo de jeito nenhum

 

 

Algumas empresas como supermercados, bancos ou redes de farmácia têm seus cestos para descarte de pilhas e baterias. Essas iniciativas são muito interessantes já que, por causa do pequeno volume, esse processo acaba sendo pago pela própria empresa, dentro dos seus programas de responsabilidade social, prontificando-se a recolher os produtos.

O Ministério do Meio Ambiente também tem uma lista de locais para descartes de baterias. Para saber os endereços, clique nos itens abaixo:

  • para pilhas e baterias comuns
  • para baterias de automóveis
  • para baterias industriais.

Além disso, para as baterias de automóveis, é comum no comércio brasileiro você usá-las como base de troca quando for adquirir uma nova. É uma ótima saída, mas se certifique que o vendedor a recicle mesmo.

Como uma bateria pode ser reciclada

Assim como a variedade de tipos e tamanhos de pilhas e baterias é grande, também é variável o número de opções para o reaproveitamento das baterias e pilhas. A seguir, vamos tentar mostrar um pouco do passo-a-passo que é o processo geral para a reciclagem de uma bateria, seja ela industrial ou de uma simples calculadora.

Descarregamento, seleção e separação – Antes de entrar no processo é preciso selecionar os produtos com alguma semelhança de matéria-prima.

 

Descarregamento
Imagem cedida pela Suzaquim
Descarregamento do material recolhido


Corte de pilhas - A primeira separação feita é da carcaça, normalmente de plástico, e do restante. O material que não pode ser reaproveitado segue para as empresas que fazem reciclagem de plástico, por exemplo.

 

Corte de pilhas
Imagem cedida pela Suzaquim
As pilhas são cortadas para a separação dos vários materiais

 

Moagem – Na moagem, acontece a separação de alguns metais como o aço, que também segue para outras empresas que reciclam o material. Neste processo, surge o o pó químico.

 

Moagem
Imagem cedida pela Suzaquim
Equipamento de moagem de pilhas e baterias

 

Reator químico – Esse pó químico passa por reações químicas como precipitações que podem formar diferentes compostos químicos. A escolha do produto vai depender da necessidade do mercado.

 

Reator químico
Imagem cedida pela Suzaquim
Operador manipula pó químico dentro do reator

 

Filtragem e prensagem – Com filtros e prensa, é feita uma nova separação entre líquidos e sólidos.

 

Prensagem
Imagem cedida pela Suzaquim
Prensagem que auxilia na separação de sólidos e líquidos

 

Calcinador – Em uma espécie de forno, os elementos sólidos são aquecidos.

 

Calcinador
Imagem cedida pela Suzaquim
Calcinador aquece os sólidos

 

Nova Moagem – Com os produtos condensados, é feita uma nova moagem.

 

Nova moagem
Imagem cedida pela Suzaquim
Mais uma moagem é feita durante o processo

 

Produto final – São, então, obtidos sais e óxidos metálicos usados por indústrias de tintas, cerâmicas e outros tipos de produtos químicos.

 

Produtos finais
Imagem cedida pela Suzaquim
Possíveis produtos finais da reciclagem de pilhas

 

Tratamento de efluentes - Paralelamente, esse processo recebe um tratamento de efluentes e de gases para deixar o processo o mais limpo possível.

 

 

Tratamento de efluentes
Imagem cedida pela Suzaquim
O tratamento dos efluentes é imprescindível

fonte:Luís Indriunas.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem de pilhas e baterias".  Publicado em 09 de junho de 2008  (atualizado em 13 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-pilhas-baterias.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 17:31

Setembro 26 2010

A reciclagem de ferro e aço é uma das formas de reaproveitamento mais antigas do mundo. Já no Império Romano, os soldados recolhiam utensílios e armas após guerras para serem refundidos. E quanto mais foi aumentando a utilização do ferro, mais a reciclagem desse material foi crescendo. Hoje, as empresas e profissionais que trabalham com isso são chamados de recicladores, mas eles, na verdade, são os antigos sucateiros. Quem era criança há 30 anos deve lembrar o carroceiro gritando: “garrafeiro, metaleiro, ferro velho...”. Estes charreteiros que circulavam, inclusive em cidades grandes, eram a ponta desse processo. As empresas de sucatas começaram a surgir no Brasil na década de 40, quando a indústria brasileira se consolidava. É um mercado razoavelmente pulverizado, mas ainda concentrado na região sudeste. Segundo o Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa do Estado de São Paulo-SP (Sindinesfa), 49% das empresas de sucata estão em São Paulo e 13% se dividem entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais.

 

Ferro velho
Luís Indriunas
Do fogão à latinha,
há muita coisa no tal "ferro velho"

Bom, antes de continuar o assunto, vamos falar um pouco sobre os produtos que usam ferro ou aço. São vários, muitos mesmo. Autopeças, latinhas de produtos alimentícios, latas de outros produtos como tintas, grades, esquadrias, alicerces de construções, enfim o aço e o ferro estão em vários lugares. Da mesma forma que o leque de produtos é grande. Também é grande as opções de destinos para o tal “ferro velho”. Se você tiver curiosidade, entre no Google ou outro mecanismo de busca e digite palavras como sucata ou ferro velho para ver a quantidade de empresas que trabalham com venda e compra desses materiais.

Assim, a reciclagem de ferro, na verdade, tem muito a ver com reaproveitamento. O ComoTudoFunciona visitou uma fábrica de sucatas. Nela foi possível ver, tanto retalhos das siderúrgicas que mandam para elas, quanto lingotes de ferro, que voltam para as siderúrgicas. A sucata é responsável por mais de um quarto do material que sai novinho em folha no país. Em 2006, das 31 milhões de toneladas de aço produzidas no Brasil, 8,3 milhões foram utilizadas, ou seja, 26,7% do novo aço produzido. (Fonte: Cempre)

Além de ser uma mão na roda para quem produz, a reciclagem de aço colabora para o ambiente. Cada tonelada de aço reciclado representa uma economia de 1.140 quilos de minério de ferro, 154 quilos de carvão e 18 quilos de cal (Fonte: Reviverde).

Há, na verdade, dois processos diferentes de reciclagem de aço no Brasil. Um voltado apenas para o reaprovimento das latas de aço e outra, para uso das siderúrgicas em geral. Veja na próxima página mais detalhes.

O processo de reciclagem

A participação das latas de aço para bebidas no mercado brasileiro é bem pequena. Representam 5% do mercado, concentrados principalmente no nordeste brasileiro (Fonte: Abeaço). Vale lembrar, no entanto, que outros produtos, alimentícios ou não, usam latas de aço.

O seu processo tanto de captação quanto de beneficiamento é muito semelhante ao da lata de alumínio, com a ponta do processo nos catadores e final na própria chapa de aço. O aço leva desvantagem porque os catadores acabam recebendo menos pelo aço do que pelo alumínio. Mesmo assim, as latas de aço alcançaram um índice significante de reciclagem: cerca de 85% em 2006 (Fonte: Reciclaço).

Já os outros materiais com aço tomam um  rumo diferente. Bom, antes de mais nada, assim que os caminhões chegam nas fábricas com o material, eles são examinados para verificar se não há nenhum material radioativo.

 

Detector de radioatividade
Luís Indriunas
Os caminhões passam pelo detector de radioatividade


Muitos canos e vigas chegam nas fábricas e depósitos e acabam não sendo processados, já que tem utilidade da forma que estão. Já, eletrodomésticos e outros produtos com aço acabam passando por uma triagem. Muitas vezes, o próprio catador  retira várias peças que lhe interessam como, por exemplo, o motor da geladeira. Quando esse material vai para a indústria já está digamos “bem limpo”. A forma como esse material será reciclado vai depender invariavelmente das leis do mercado. Como no caso das vigas, se houver demanda a fábrica entrega as vigas sem processa-las.

 

Canos para reaproveitamento
Luís Indriunas
Em muitos casos, os canos são aproveitados
sem ter que ser remodelados, cortados ou fundidos


Em outros casos, como no da foto abaixo, grandes chapas são cortadas para ser processada.

 

Na sucataria
Luís Indriunas
Funcionário corta a chapa para melhor aproveitá-la na sucataria


O reprocessamento começa normalmente com a separação de tipos de sucata. Há as com muita “sujeira” como tintas, colas, plástico e outros materiais e há as mais “puras” como os retalhos que vêm das próprias siderúrgicas. A necessidade de separar vem dos pedidos de pureza do produto para cada cliente da sucateira. Daí por diante, os processos são muito parecidos. Veja alguns passos.

 

 

Esteira
Luís Indriunas
O material passa por uma esteira e são cortados.



 

 

Esteira
Luís Indriunas
Em alguns casos, o material passa por uma esteira para ser prensado.

 

 

 

Material pronto após reciclagem
Luís Indriunas
Uma das formas de mandar esse material é em pequenos
cilindros como esse para serem refundidos


Prontas as peças são levadas para as siderúrgicas que vão refundi-las em fornos a 1.550 º C.

fonte:"HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem de ferro".  Publicado em 06 de outubro de 2008  (atualizado em 13 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-ferro.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 17:29

Setembro 26 2010

A reciclagem, mais do que nunca, está na boca do povo. As casas possuem dois cestos de lixo: um para restos orgânicos, outro para recicláveis, como o papel, o vidro, os metais e o plástico. O óleo de cozinha não é mais derramado no ralo da pia, é armazenado em garrafinhas plásticas que, quando cheias, são levadas a postos de coleta em supermercados e outros estabelecimentos comerciais. As pilhas e baterias, comuns em eletrônicos e gadgets, também são levadas a postos de coleta especializados. O ciclo do consumo, aos poucos, vai se configurando em um verdadeiro “ciclo”.

Mas nem tudo são flores no processo de reciclagem, sobretudo quanto estamos falando em embalagens, a cada dia que passa mais sofisticadas e complexas. O caso mais emblemático é a embalagem longa vida (ou cartonada), um composto de plástico, alumínio e papel.

Você dispensaria uma embalagem longa vida no lixo de papel, plástico ou alumínio? E como reciclar um material tão complexo quanto este?

A embalagem cartonada (conhecida também por longa vida), criada na década de 1970, trouxe enormes benefícios à sociedade, que pode armazenar alimentos por um longo período de tempo sem que os mesmos apodrecessem. Benéfica do ponto de vista logístico – foi adotada em larga escala para armazenar toda sorte de alimentos e bebidas imagináveis -, no entanto, tornou-se um grande problema ambiental: é um composto de papel, plástico e alumínio humanamente inseparável, o que impede sua reciclagem integral.

 

 



Verdade seja dita: o papel é facilmente extraído do composto, o problema está justamente na separação do plástico e o alumínio. Os cientistas levaram décadas para, só então em 2007, descobrirem uma solução viável para a separação destes elementos: o plasma.

Para saber o que é o plasma e como ele consegue separar o plástico e o alumínio, leia a próxima página.

A reciclagem por plasma

A embalagem cartonada é utilizada em larga escala no Brasil. Até 2007, das cerca de 160 mil toneladas descartadas anualmente, apenas 25% eram direcionadas para um processo de reciclagem parcial, que separa o papel dos demais elementos (plástico e alumínio).

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Hidrapulper em funcionamento

A separação do papel se dá pela introdução das embalagens em processador à base de água chamado hidrapulper - uma espécie de liquidificador gigante - que extrai o papel da embalagem em fibras. Estas fibras são direcionadas à indústria de reciclagem de papel, que as utiliza basicamente na produção de caixas de papelão.

 

Reciclagem de longa vida
Celso Monteiro
Depois de passar pelo hidrapulper, surge este material.


O material remanescente, plástico e alumínio grudados, em sua grande maioria era destinado a aterros sanitários, sendo apenas uma pequena parte aproveitado por fábricas de telhas que o utilizava como matéria-prima.

 

O que restou da embalagem de tetrapack
Celso Monteiro
Produto final da reciclagem de embalagem longa vida



A solução para a reciclagem da embalagem cartonada, à despeito de tudo o que já havia sido tentado, no entanto, estava incompleta. Foi então que, no ano de 2007, quatro empresas consorciadas inauguraram a primeira fábrica de reciclagem completa destas embalagens, na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, utilizando a tecnologia do plasma.

 

Quarto estado da matéria
O plasma é um gás produzido em alta temperatura, com propriedades químicas que o diferencia dos demais estados de matéria (sólido, líquido e gasoso). Ele é parcialmente ionizado e possui modificações moleculares e atômicas. É comumente chamado de “quarto estado da matéria”.

O consórcio era formado pelas empresas TSL, de engenharia ambiental; Alcoa, produtora de alumínio; Klabin, produtora de papel, e Tetra Pak, fabricante de embalagens cartonadas.

Com investimentos da ordem de R$ 12 milhões - e sete anos de pesquisa e desenvolvimento - a capacidade de processamento da fábrica é de 8 mil toneladas de plástico e alumínio por ano, equivalente a cerca de 32 milhões de toneladas de embalagens longa vida (20% do total consumido no Brasil).

No processo de separação pelo plasma, o material remanescente da separação do papel da embalagem cartonada – o composto de plástico e alumínio – é introduzido em fardos dentro do reator de plasma térmico. Induzido pelo gás argônio, o plasma é lançado por uma tocha sobre o material por alguns poucos minutos a uma temperatura média de 15.000 °C.

As moléculas de plástico vão se quebrando em cadeias moleculares menores, evapora e condensa em uma outra câmara, na qual é retirada em forma de parafina, que é vendida para a indústria petroquímica.

O alumínio, por sua vez, é derretido pelo plasma e recuperado em lingotes (barras). A própria indústria de alumínio recompra o material e o emprega novamente em embalagens.
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Benefícios sócio-ambientais

 

 

Telhas de longa vida

Além do sofisticado método de reciclagem desenvolvido pela empresa, algumas outras iniciativas dão outras utilidades para as embalagens longa vida. Elas podem, por exemplo, transformar-se em telhas melhores que as de amianto em apenas duas horas. Clique aqui para saber mais.

Além do fato de a tecnologia de reciclagem pelo plasma ser um diferencial por si só, a fábrica tem outros atrativos ambientais: o processo é considerado “limpo”, ou seja, não produz poluentes ambientais.

A separação dos materiais que ocorre no reator não utiliza oxigênio ou realiza qualquer tipo de combustão e, portanto, é neutra em emissão de carbono. Eventuais efluentes líquidos são tratados e a água utilizada no circuito é reaproveitada. O processo tem um alto índice de eficiência energética (transferência de energia do plasma para o alumínio e o plástico), cerca de 90%.

A expectativa do consórcio de empresas, por outro lado, é que os benefícios da reciclagem total das embalagens cartonadas se estendam por toda cadeia produtiva - em especial aos catadores de materiais, já que o preço da tonelada do material, atualmente em R$ 250 (dados de 2007), tenderá a aumentar em 30%, resultando numa maior remuneração da atividade de coleta.

fonte:Celso Monteiro.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem da embalagem longa vida".  Publicado em 14 de fevereiro de 2008  (atualizado em 28 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-longa-vida.htm  (25 de setembro de 2010)

publicado por adm às 17:26

Setembro 26 2010

A reciclagem de alumínio no Brasil é um sucesso. O país é o primeiro lugar no ranking do índice de reciclagem de latas de alumínio, com 94,4% do material consumido sendo reaproveitado (dados de 2006). O segundo lugar é o Japão com 90,9% de aproveitamento e o terceiro é a Argentina, com 88,2%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Alumínio (Abal) e Associação Brasileiros da Indústria de Latas (Abralatas).

 


Mas quais as razões do sucesso tupiniquim. Para as indústrias, a reciclagem do alumínio tem vantagens óbvias na economia de energia. O processo gasta cerca de 700 Kilo Watts/hora ao ano, o que equivale a menos de 5% da energia gasta no processo de elaboração primária do alumínio, que transforma a bauxita em alumina e depois em barras ou chapas de alumínio. As associações do setor projetam uma economia de energia que daria para abastecer de eletricidade uma cidade como Campinas, com cerca de 1,5 milhão de habitantes.



Para os catadores e suas cooperativas, uma das principais pontas do processo, recolher e vender latas de alumínio rendem muito mais do que qualquer outro material possível de reciclagem como pets ou papéis. Para se ter uma idéia, um catador chega a receber R$ 3,00 por 74 latinhas ou um quilo do material contra R$ 0,30 por 20 garrafas pets de 2 litros ou R$ 0,10 por um quilo de papel.

Para os que lutam contra a degradação do meio ambiente, reciclar alumínio evita que essa latinha seja jogada na natureza. O alumínio pode demorar de 100 a 500 anos para se degradar totalmente. O ciclo da reciclagem de latas de alumínios é de apenas 30 dias, aliás uma vantagem também para a indústria. Além disso, o alumínio é 100% reciclado como você verá quando for explicado o processo de produção, poupando assim a extração de 700 mil toneladas de bauxita, apesar da bauxita não ser necessariamente um material em extinção. Os problemas do aquecimento global também são amenizados com a reciclagem, já que o processo emite apenas 5% do gás carbônico que se emite na produção do alumínio primário, também segundo a Abal.

Como pode se ver a indústria da latinha é uma bem azeitada coordenação de interesses no Brasil. Nas próximas páginas você vai conhecer a história de como o alumínio virou essa matéria tão importante no nosso dia-a-dia, conhecer o processo de produção de alumínio e da reciclagem das latinhas e também quem faz parte dessa engrenagem.

 

E os outros produtos de alumínio?

Enquanto as latinhas são as meninas dos olhos da reciclagem no Brasil. Outros produtos de alumínio como, por exemplo, esquadrias de janelas ou carcaça de automóveis têm seu processo de reciclagem mais difuso e, conseqüentemente, menos eficientes. Há várias razões para isso. Primeiro porque esses produtos demoram mais para serem descartados. Além disso, eles não têm uma estrutura eficiente como no caso dos catadores de latinhas e normalmente esses descartes são feitos juntos com muitos outros tipos de materiais.

 

A história da indústria de alumínio

O Alumínio vem da bauxita, um tipo de lama, bem abundante na Terra. Cerca de cinco toneladas de bauxitas produzem uma tonelada de alumínio. Com alumínio, são feitos milhares de tipos de produtos: latas, esquadria, componentes de carros, aviões, panelas, estruturas de edifícios, ou seja, uma infinidade de variedades.

A descoberta do alumínio é relativamente recente. Em 1824, o dinamarquês Hans Christina Oersted conseguiu isolá-lo. Em 1854, o cientista francês, Henry Sainte-Claire Deville, conseguiu a obtê-lo por processo químico - usando cloreto duplo de alumínio e sódio fundido. Em 1886, o americano Charles Martin Hall e o francês Paul Louis Toussaint Héroult descobriram e patentearam, quase simultaneamente, o processo de obtenção de alumínio por meio de corrente elétrica. O processo de eletrólise ficou conhecido como Hall-Heróult.

 

Um produto vantajoso

O sucesso comercial do alumínio no mundo está nas características físicas do metal. Ele não enferruja como o aço, é leve, podendo ser também mais maleável.

O alumínio passou de um nobre metal usado em utensílios domésticos sofisticados para os ricos e nobres ou em obras de arte para um metal usado em milhares de produtos demorou um pouco menos de um século.  Em 1917, a indústria primária do metal chegou ao seu primeiro milhão de toneladas. Mas o seu aumento de escala se consolidou a partir de 1950. Hoje, a indústria de alumínio coloca 34 milhões de toneladas do produto no mundo (dados de 2006/Abal), que vai para diversas tipos de indústria virar outros produtos.

A escala é grande e a estrutura da indústria é altamente globalizada. As maiores jazidas de bauxita estão em país tropicais ou subtropicais. Brasil, Austrália, África e Estados Unidos são exemplos de locais onde a indústria extrativista de minério é forte. São 46 países que extraem a bauxita, transformam em alumina e depois em alumínio. Já as indústrias que moldam, usinam e fundem o alumínio se espalham pelo planeta. Seja, em países altamente industrializados e com sofisticado parque industrial como o Japão ou Tigres Asiáticos ou em grandes centros industriais dos países em desenvolvimento.

Uma das características dessa industrialização é seu forte investimento em tecnologia tanto do lado da extração quanto do beneficiamento. Como exemplo, podemos pegar a própria indústria de latas e o caso brasileiro. Entre as décadas de 1970 e 2006, a indústria de latas de alumínio no Brasil viu sua produtividade aumentar 51%. Antes, com um quilo de alumínio era possível produzir 49 latas. Atualmente, com a mesma quantidade de alumínio é possível produzir 74 latas. Esse quadro se repete em vários setores dessa cadeia produtiva. Mas voltemos para o perfil da indústria brasileira de latas, que é o principal assunto do artigo. Lá vão alguns dados.

  • Capacidade de produção de 14,4 bilhões de latas por ano
  • 13 fábricas de latas de alumínio
  • Produção de 10,8 bilhões de latas por ano
  • 3.300 empregos diretos
  • Faturamento de R$ 3 bilhões
  • Consumo de 57 latas per capita por ano
  • 95% das latinhas consumidas no Brasil são de alumínio
Fontes: Abal e Abralatas/2006


A reciclagem

Acompanhando esse movimento, a reciclagem de alumínio também se sofisticou e cresceu. Veja na próxima página como se estrutura essa indústria no Brasil.

Quem é quem na reciclagem de alumínio

A estrutura para a reciclagem de alumínio também é bastante avançada e enxuta no país.

  • 327 municípios com coleta seletiva
  • 170 mil pessoas envolvidas
  • Movimento de R$ 1,7 bilhão
  • 44 empresas recicladoras (fundições)
  • 2.100 empresas envolvidas no processo
  • 3.300 empregos diretos

 

Fontes: Abal e Abralatas/2006


Além do fatores já ditos como a vantagem econômica dos catadores e da indústria, a reciclagem conta atualmente com uma adesão importante dos consumidores e comerciantes. Apenas como exemplo, os clubes e condomínios que eram responsáveis por 10% da coleta em 2000 aumentaram sua participação para 20% em 2006. As cooperativas, no entanto, continuam sendo base do processo, responsáveis por 58% do material recolhido. Veja como a coleta se divide.

 



A indústria de latas e reciclagem de latas de alumínio tem sua própria estrutura social. São vários agentes que participam para que haja eficiência no processo, conheça esse ciclo.

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Veja agora como é o processo industria do alumínio em detalhes.
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Como se produz e recicla latas de alumínios

Como já foi dito, cinco toneladas de bauxita acaba em uma tonelada de alumínio. Para esse processo acontecer, há uma longa etapa que passa ainda por um outro ciclo que é da alumina.

A grosso modo o processo de produção do alumínio é dividido em três etapas.

Extração da bauxita – que se resume a extração, compactação e secagem do produto.

Transformação em alumina – Dessa bauxita vai ser retirada a alumina, uma espécie de pó branco. Esse processo conta com o uso de produtos químicos como a soda cáustica, secagem, filtragem e redução. A redução é feita através de um processo de eletrólise, processo que por meio elétrico separa componentes químicos.

Transformação em lingotes – A alumina é processada junto com outros elementos químicos. Há também a ação de eletricidade e fundição para que surjam os lingotes ou chapas de alumínio, estas últimas usadas para fazer latas. Com extremo grau de pureza, cerca de 98%, o alumínio segue para as mais diversas indústrias que o moldam, de acordo com o que desejam.

Para saber mais sobre esse processo, clique aqui.

Como estamos falando de lata, vamos a segundo etapa desse ciclo que quando a chapa torna-se lata. São sete passos básicos.

Prensagem – Os rolos de chapas de alumínio são cortados e tomam o formato de pequenos copos.

Afinando – Em outro equipamento de pressão, esses copos são esticados, diminuindo sua espessura e aumentando sua altura.

Limpando – Essas latas são esterelizadas e secadas por dentro e por fora.

Rotulando – Os rótulos das latas são feitos através de um processo chamado flexografia, uma espécie de xilografia sofisticada.

Revestimento interno – Um spray cria uma película amplia a higienização interna da lata.

Moldagem do pescoço – Nessa etapa é feita uma pequena dobra aonde será colocada a tampa da latinha.

Colocação da tampa – A tampa é finalmente fixada junto com o seu anel e rebite que serão fixados após o preenchimento do conteúdo.

Bom, agora que você já conhece os passos para se fazer uma lata de alumínio, vamos voltar um pouco do processo para entender como acontece a reciclagem. Dessa vez com imagens.

Depois de consumida a lata vai para o lixo. A separação da lata de alumínio é importante porque antecipa uma etapa do processo. Mas mesmo assim o perigo de haver materiais que não sejam alumínio no processo ainda é grande. E deixar esses intrusos acabam comprometendo a reciclagem. Apesar de 100% reciclado, o alumínio reciclado deve tomar cuidado para ter um bom grau de pureza. Muitas vezes ele não chega à pureza do alumínio primário, mas chega muito perto. Fábricas como a Aleris, em Pindamonhangaba, consegue 97,4% de pureza.

Vamos aos passos da reciclagem.

 



Depois de recolhidas e separadas, as latas chegam para a triagem.

 

 

Esteira de triagem

 

Uma esteira leva as latas para a prensagem. Uma nova fiscalização
manual
é feita. Nessa etapa uma máquina assopra a lata para o
alto. Com a velocidade controlada, o vento joga as latas de alumínio
para cima e objetos com materiais mais pesado caem em uma
nova lixeira. É nesse etapa que aquela latinha cheia de areia
que alguém colocou para aumentar o peso vai embora.

 

 

Latas são prensadas

 

A seguir, uma prensa cria os fardos, que seguem para
a indústria de reciclagem.

 

 

 

 

Exame de radioatividade

 

Na indústria de reciclagem, os fardos são examinados por
detectores de radiaotividade, Para evitar qualquer tipo de
contaminação por radiação.

 

 

 

Os fardos na indústria de reciclagem

 

 

Se não houver nenhum problema, os fardos seguem o processo.
Eles serão novamente examinados por uma triagem, que,
além dos jatos de vento, imãs são colocados para atrair objetos que contenham ferro, eliminando-os do processo.
As tintas e outros produtos químicos
são eliminados
durante a fusão graças
ao controle da temperatura dos fornos. Um processo
extremamente caloroso, já que os fornos
trabalham a 400º Celsius
.

 

Misturando as matérias-primas

 

Não são só as latinhas que vão para a reciclagem, restos de
várias linhas de produção com alumínio primário, conhecidos
como cavacos, são aproveitados melhorando o grau de pureza
do produto final.

 

 

Fundição do alumínio

 

Fundido, o alumínio cai em recipientes que determinam sua forma final.

 

 

Lingotes

 

 

Uma das formas do produto acaba são os lingotes.

 

 

 

Controle de qualidade

 

 

Para verificar o grau de pureza e resistência do produto são em
pequenas amostras que são torneadas na própria
indústria de reciclagem.

 

 

 

­O mito dos anéis de latinhas

Um costume de muitas famílias brasileiras é juntar aqueles anéis ou argolinhas de latinhas para uma suposta reciclagem que, por exemplo, ajudaria na obtenção de uma cadeira de rodas para quem precisa. Segundo uma das versões da história, uma garrafa de plástico de dois litros cheia de anéis de latinhas (com um quilo aproximadamente) valeria mais de R$ 200,00. Já vimos que um quilo de latinhas custa, na verdade, R$ 3,00 em média. Esses anéis podem sim ser usados na reciclagem, mas principalmente quando junto à latinha. Eles contêm uma pequena quantidade de zinco que é eliminada durante a reciclagem, mas nenhuma indústria de reciclagem vai comprar apenas os anéis. Por isso, deixe-os junto com a latinha. Aliás, esse mito não é exclusividade brasileira. Na Noruega, existe a lenda de que os anéis podem ser trocados por cachorros guias para cegos.

fonte:Luís Indriunas.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem de latas de alumínio".  Publicado em 19 de março de 2008  (atualizado em 28 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-de-aluminio.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 17:23

Setembro 26 2010

Se você leu o artigo sobre como funciona a reciclagem, já está familiarizado um pouco mais com o significado e a importância da reciclagem, além de saber brevemente como são os vários tipos de reciclagem. Agora, vamos detalhar o processo do papel reciclado.

O papel reciclado tem ganho cada vez mais espaço no mercado nacional e internacional. Empresas e órgãos públicos, por exemplo, têm adotado o papel reciclado em suas compras de material para escritório. Assim, o papel reciclado já representava mais de 30% do mercado nacional de papéis em 2006. Mas a reciclagem de papel é realmente boa para o meio ambiente? Qualquer papel pode ser reciclado? Como é o processo de reciclagem? Conheça mais detalhes sobre o assunto nas próximas páginas.

 

Economizando árvores

Um dos principais argumentos para a reciclagem de papel é a redução dos impactos danosos ao meio ambiente e entre eles está a diminuição do uso de árvores para a produção do papel. Uma tonelada de aparas (papéis cortados para a reciclagem) pode substituir o corte de 15 a 20 árvores, dependendo do tipo de papel que será produzido, segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Outro argumento é que haveria uma redução da energia elétrica para a produção de papel com a reciclagem. A porcentagem de economia, no entanto, pode variar muito já que há empresas de papel e celulose com eficiente autogeração de energia, enquanto algumas empresas de reciclagem acabam usando métodos mais convencionais de obtenção de energia.

Há também o argumento que na produção de papel reciclado há uma economia de água. Nesse caso, também não há um número exato da economia. Há fontes que falam em 10 mil litros de água a menos por tonelada produzida, mas há também quem chegue a falar em cerca de 100 mil litros.

De qualquer modo, cerca de 40% do lixo urbano no mundo é composto de papel. Sua reciclagem ajuda a evitar o desperdício.

Mercado crescente

No Brasil, o consumo de aparas (a matéria-prima do papel reciclado) cresceu 56% de 1997 para 2006, segundo a Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), enquanto o consumo de papel cresceu 24,9% no mesmo período. O que quer dizer que há uma produção maior de papel reciclado. Das 175 produtoras de papel instaladas no país, 75% têm mais de 50% dos seus produtos originários da reciclagem.

Em 2006, o Brasil tinha uma taxa de recuperação de papéis para reciclagem de 45,4%. O campeão da reciclagem é a Coréia do Sul (com uma taxa de 78,1%) e, o vice-campeão é a Alemanha, com um taxa de 73,7%.
Os papéis ondulados, aqueles usados em caixas de papelão, são o tipo de papel mais usado para reciclagem no Brasil, com 61,8%. O mercado de papel reciclado tem o mais diversos tipos de produtos. São desde caixas de papelão até papéis higiênicos.


 




 

Custo consciente

­Apesar de haver uma diminuição de custos na produção muitos papéis reciclados, principalmente os usados em escritórios, acabam sendo mais caros, variando de 5% a 20% a mais que o produto comum. A principal razão para isso é a demanda maior que a oferta. Cada vez mais consciente dos problemas ecológicos, o consumidor vem procurando esses papéis e ainda são poucas as empresas que tem o produto.

 

Como se produz um papel reciclado

Antes de entrar propriamente na discussão sobre o processo de produção do papel reciclado é preciso saber quais os papéis que podem ser reciclados e quais não existe forma de reciclar.

Os recicláveis são:

• Papelão
• Jornal
• Revista
• Papel de fax
• Papel-cartão
• Impressos em geral

Não são recicláveis:

• Fitas adesivas
• Fotografias
• Papel carbono
• Etiquetas adesivas
• Copos descartáveis

Produzir o papel reciclado é muito semelhante à produção de papel comum após a entrega da celulose. É preciso moer, molhar, criando uma massa que lembra o papel machê, prensar, tingir e secar o papel. A principal diferença está na necessidade da utilização de vários produtos químicos para retirar as impurezas do papel como tintas e colas, o que, para alguns críticos, pode ser também perigoso para o meio ambiente, se não for feito de maneira correta. Veja um processo básico de reciclagem de papel.

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­Nem sempre totalmente reciclado

Dependendo do tipo de papel, apenas a massa do papel reciclado é insuficiente para garantir resistência e durabilidade no novo papel, assim, as indústrias acabam tendo que incluir celulose virgem durante o processo. Aliás um papel pode ser reciclado de sete a dez vezes, depois as fibras já não terão força suficiente. Um exemplo de papel com pouca fibra são os papéis higiênicos.

Atores sociais da reciclagem

Como os outros tipos de reciclagem, a do papel envolve diversos atores econômicos diferentes. Os consumidores de papel em geral (casas, escritórios, lojas etc.) entregam os jornais velhos, as caixas vazias, os cadernos cheios e os panfletos que ninguém lê para intermediários como catadores, cooperativas de catadores de lixo e sucateiros. Esses separam o material, de acordo com as normas de reciclagem, e entregam para os aparistas. Esses são os responsáveis por preparar o material para as fábricas de reciclagem, picando o papel e criando fardos que chegam nas fábricas. Mas você também pode fazer o seu próprio papel reciclado. Veja como na próxima página.

 

­Para inglês ver
Hoje em dia é comum ver documentos e publicações com o papel reciclado, facilmente identificado a olho nu. São normalmente papéis bege, que lembram a tonalidade de uma madeira clara, com várias pequenas ranhuras em toda a superfície. O que pouca gente sabe é que o papel reciclado industrial não precisa ter esse aspecto. Esse pode ser tão branco e limpo como qualquer papel feito de fibras virgens. Mas como o mercado quer transparecer consciência ecológica, o papel reciclado tem que ter uma cara “de segunda mão”.


­

 

Faça seu próprio papel reciclado

Você não precisa ter uma indústria para fazer um papel reciclado. Charmosos para serem usados como cartões de aniversário ou mesmo para desenhar, os papéis reciclados caseiros são simples de serem feitos. Se você leu a página anterior, já sabe algumas das etapas da produção. Agora é só colocar em prática de maneira, digamos, caseira.

Vamos aos equipamentos e ingredientes:

• Liquidificador
• Bacias
• Água
• Panos velhos
• Peneira (ela pode ser uma peneira de cozinha com buracos pequenos)
• Jornais, revistas e folhas de cadernos usadas

Com o material na mão, é só começar:

1º passo

Rasgue o papel em pedaços pequenos e coloque numa bacia. Atenção, evite cortar o papel com tesoura ou estiletes porque esse processo pode enfraquecer as fibras.

 


2º passo

Coloque água na bacia e deixe o papel picado amolecer. Se o papel for mais resistente que, por exemplo, papel-jornal, deixa algumas horas de molho ou até mesmo de um dia para o outro.

 



3º passo

Amasse e rasgue bem o papel embebido em água, deixando ele bem pastoso.

 


4º passo

Aperte a massa de papel, tirando o excesso de água, e coloque no liquidificador com água. Numa proporção de três de água para um de papel.

 

 



5º passo

Depois de batido, pegue o resultado e despeje em um balde. Há duas opções para essa etapa. Se você quer um papel grosso como um papelão, você pode jogar o conteúdo direto na peneira. Para papéis mais finos, é use a peneira pegando o material de baixo para cima e deixando escorrer. Quanto mais vezes, você fizer isso, mais consistente o papel vai ficar.

 

 



6º passo

Com o trapo, vá secando lentamente o material, pousando-o em uma superfície absorvente como pano ou mesmo papel-jornal.

 



7º passo

Coloque um peso em cima do papel para prensar o papel. Deixe-o descansando até ficar bem seco. E pronto. Agora é só usá-lo.

 

fonte:Luís Indriunas.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem de papel".  Publicado em 07 de novembro de 2007  (atualizado em 28 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-papel.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 16:46

Setembro 26 2010

A reciclagem tem um conceito bastante simples: pegue alguma coisa que não tem mais utilidade
e transforme-a em alguma coisa nova em vez de simplesmente jogá-la fora. Pode ser qualquer coisa, desde a reciclagem de papel velho em papel novo até a transformação de uma antiga calota em uma banheira de passarinhos decorativa. Na realidade, a reciclagem pode se tornar bastante complexa: como ela interage
com nosso ambiente, nossa política, nossa economia e até mesmo com nossos próprios padrões de comportamento humano, exerce um papel importante no futuro de nosso planeta. Neste artigo, veremos o que é reciclagem, por que e como ela funciona e algumas críticas a essa prática.

No Brasil, a reciclagem ainda engatinha. Uma pesquisa do governo federal mostra que apenas 0,8% do lixo é reciclado.  O balanço feito em 2008 abrange 247 municípios.

 

O que é reciclagem?

A reciclagem pode assumir várias formas. Em uma escala menor, sempre que você encontra um novo uso para alguma coisa velha, você está reciclando. Um exemplo é transformar caixas de cereal velhas em porta-revistas [fonte: All Free Crafts - em inglês].

 

recycling cans
Foto cedida morgueFilsLatas de alumínio são descarregadas no centro de reciclagem.Confira nossa galeria de imagens ambientais (em inglês).

A reciclagem se torna mais importante em escalas maiores. Nesse nível, bens de consumo usados são coletados, convertidos de volta em matéria-prima e refeitos em novos produtos de consumo. Latas de alumínio, papel de escritório, aço de prédios velhos e recipientes de plástico são todos exemplos de materiais comumente reciclados em grandes quantidades, geralmente por meio de programas municipais que encorajam as coletas domésticas em grande escala.

É raro um produto reciclado ser exatamente do mesmo material original a partir do qual ele foi reciclado. Papel reciclado, por exemplo, contém resíduos de tinta e fibras mais curtas que papel virgem (papel feito de polpa de madeira). Por causa disso, ele pode ser menos desejável para alguns propósitos, como papel para copiadoras. Quando um bem reciclado é mais barato ou mais frágil que o produto original, é conhecido como ciclo inferior (ou reciclagem descendente). Eventualmente, os produtos caem tanto no fluxo de reciclagem que se torna inviável reciclá-los novamente. Após ser reciclado algumas vezes, o papel não é mais utilizável. Em alguns casos, os produtos podem passar por um ciclo superior, transformados em alguma coisa mais valiosa que o produto original. Um exemplo é uma empresa que faz reciclagem ascendente, transformando jornais velhos e latas de alumínio em móveis artísticos [fonte: Stovell Design - em inglês].

 

Fenômeno brasileiro
No Brasil, é impensável falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais e suas cooperativas. Não existem números fechados, mas calcula-se que existam de 300 mil a 1 milhão de catadores em atividade no país.

Não é para menos, a população brasileira gera diariamente cerca de 126 mil toneladas de lixo de consumo (excluindo dejetos industriais e empresariais). Não fossem os catadores, tudo acabaria em aterros sanitários e lixões.

 

A profissão, no entanto, é desgastante e insalubre. A maioria dos catadores perambula 30 quilômetros por dia em média, puxando até 400 quilos, em busca de materiais que, muitas vezes, só são encontrados dentro de sacos de lixo. Tudo isso para ganhar de um a dois salários mínimos por mês.

Apesar disso, as cooperativas são verdadeiros centros de reabilitação social e promoção de cidadania, por possibilitam a geração de renda para uma parcela da população socialmente excluída e sem instrução. Cumprem um importante papel de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira.

História da reciclagem

Ainda que a reciclagem possa parecer um conceito moderno introduzido com o movimento ambiental da década de 70, ela já existe de fato há cerca de milhares de anos. Antes da era industrial, você não conseguia produzir bens rapidamente e com baixo custo; assim, virtualmente todos praticavam a reciclagem de alguma forma. Os programas de reciclagem de larga escala, porém, eram muito raros: eram os moradores das casas que predominantemente praticavam a reciclagem.

 

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Foto cedida stock.xchng
Alumínio amassado pronto para ser reciclado em latas novas

 

A produção em massa da era industrial é, de muitas formas, a razão básica pela qual precisamos nos preocupar com a reciclagem em larga escala. Quando os produtos podem ser produzidos e comprados muito baratos, geralmente faz mais sentido econômico simplesmente jogar fora itens antigos e comprar outros novinhos em folha. Essa cultura de bens "descartáveis", porém, criou inúmeros problemas ambientais, que discutiremos em detalhes na próxima seção.


Nas décadas de 30 e 40, a conservação e a reciclagem se tornaram importantes na sociedade dos EUA e em muitas outras partes do mundo. Depressões econômicas fizeram da reciclagem uma necessidade para muitas pessoas sobreviverem, já que elas não podiam pagar por bens novos. Na década de 40, produtos como o náilon, a borracha e muitos metais eram racionados e reciclados para ajudar a suportar o esforço da guerra. A explosão econômica dos anos pós-guerra, porém, causou o fim do conservacionismo da consciência dos EUA [fonte: Hall]. Não foi antes do movimento ambiental das décadas de 60 e 70, preconizado pelo primeiro Dia da Terra (em inglês), em 1970, que a reciclagem novamente se tornou uma idéia corrente. Apesar da reciclagem ter sofrido alguns anos de baixa (por causa da aceitação do público e do mercado de bens reciclados estagnado), de modo geral ela aumentou ano após ano [fonte: Hall]. O sucesso da reciclagem se deve à aceitação do grande público, ao crescimento da economia da reciclagem e às leis que exigem coletas recicladas ou forçam o conteúdo reciclado em determinados processos de manufatura.

 

Inovação da reciclagem: campos de golfe de aterro

E se você pudesse reciclar um aterro inteiro, cheio de milhões de toneladas de lixo? Isso foi realizado em muitos locais, onde o aterro é coberto com terra, plantado com vegetação e transformado em um campo de golfe. O Mountain Gate Country Club, perto de Los Angeles, é um exemplo disso [fonte: Brownfield Golf - em inglês].

Uma outra maneira de reciclar aterros envolve capturar o gás metano liberado pelo lixo em decomposição e usá-lo para produzir energia. A medida é também mitigadora do aquecimento global. Outra maneira é reutilizar os antigos buracos dos aterros, onde o lixo se decompôs, preenchendo-o com lixo novamente.

Benefícios da reciclagem

A maioria das razões pelas quais reciclamos é ambiental, ainda que algumas sejam econômicas.

 

Lixo em excesso
Uma das principais razões para a reciclagem é reduzir a quantidade de lixo enviada para os aterros. O uso de aterros atingiu seu ápice na década de 80, quando os americanos mandaram quase 150 milhões de toneladas de lixo para aterros por ano. Atualmente, ainda são lançados mais de 100 milhões de toneladas de lixo em aterros anualmente [fonte: Hall]. Apesar de os aterros sanitários modernos serem mais seguros e menos incômodos do que os depósitos abertos do passado, ninguém gosta de ter um deles por perto. Nas áreas densamente povoadas, o espaço para aterros é escasso. Onde há muito espaço, enchê-lo com lixo não é uma solução muito boa para o problema.

Em 2006, os esforços de reciclagem nos Estados Unidos desviavam 32% do lixo dos aterros. Isso evita que mais de 60 milhões de toneladas de lixo acabem em aterros anualmente [fonte: EPA - em inglês].

 

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Fotógrafo: Pryzmat | Agência: DreamstimeLixo transborda em um aterro

 

Poluição do chorume do aterro
Os aterros causam um outro problema, além de ocupar muito espaço. A diversidade das químicas lançadas nos aterros e as químicas resultantes da decomposição do lixo se misturam em um caldo tóxico conhecido como chorume, que cria enormes quantidades de poluição. O chorume pode vazar do aterro e contaminar lençóis freáticos. Atualmente, tampas de argila impermeáveis e coberturas plásticas evitam que grande parte do chorume vaze, tornando os aterros muito mais seguros do que eram algumas décadas atrás. Qualquer chorume, porém, é muito se ele estiver penetrando em sua vizinhança.

 

Bens novos consomem recursos
Fabricar um produto novinho em folha sem qualquer material reciclado causa o esgotamento de recursos naturais no processo de manufatura. O papel usa a polpa de madeira das árvores, ao passo que a fabricação de plástico requer o uso de combustíveis fósseis, como petróleo e gás natural. Fazer alguma coisa com materiais reciclados significa usar menos recursos naturais.

 

A reciclagem (às vezes) usa menos energia
Há muito espaço para debate sobre esse aspecto da reciclagem, mas muitos processos de reciclagem requerem menos energia do que os fabricantes precisariam para fazer o mesmo item novinho em folha. A fabricação de plástico é muito barata, e alguns bens de plástico podem ser difíceis de reciclar eficientemente. Nesses casos, o processo de reciclagem provavelmente consome mais energia. Também pode ser difícil calcular todos os custos de energia ao longo da cadeia de produção inteira. A reciclagem de aço certamente usa menos energia que o processo inteiro de mineração do minério de ferro, refinamento e forja de aço novo. Alguns alegam que a frota de caminhões de reciclagem que coleta plástico e papel de porta em porta semanalmente nas cidades abala o equilíbrio da energia contra a reciclagem. O uso da energia é um fator que deve ser considerado caso a caso.

 

Dinheiro
A reciclagem tem uma série de impactos econômicos. Para as empresas que compram bens usados, os reciclam e revendem como produtos novos, a reciclagem é a fonte de toda sua receita. Para cidades em áreas densamente povoadas que devem pagar por tonelagem para usar seus aterros, a reciclagem pode cortar milhões de dólares dos orçamentos municipais. A indústria da reciclagem pode ter um impacto ainda mais amplo. Análises econômicas mostram que a reciclagem pode ser três vezes rentável por tonelada do que aterros, bem como gerar quase seis vezes o número de empregos.

No Brasil, um dos protagonistas da cadeia de reciclagem são as cooperativas de catadores. Elas tem sido responsáveis pela melhoria das estatísticas de reciclagem, além de serem verdadeiros mecanismos de inclusão social (são uma alternativa efetiva de trabalho para boa parte da população carente do País).

Diretrizes da reciclagem

Quase tudo pode ser reciclado, mas certas coisas são mais comuns.

 

Papel
O uso do papel nas nações industrializadas continua a crescer e, em alguns casos, é responsável por quase 20% de todo o lixo doméstico [fonte: Guia Essencial]. Ainda que as árvores usadas para fazer papel novo sejam um recurso renovável, florestas antigas são freqüentemente derrubadas para dar espaço a árvores com polpa, rapidamente plantadas e colhidas para fazer papel. O papel reciclado resulta em uma economia líquida significante em termos de água e energia usadas, assim como os poluentes emitidos no ambiente.

Trinta e três por cento do papel que circulou no Brasil em 2004 retornou à produção através da reciclagem. Esse índice corresponde à aproximadamente 2 milhões de toneladas. Em 2004, 79% do volume total de papel ondulado consumido no Brasil foi reciclado [fonte: ABRE].

Desde coletas de rua e de locais específicos, o papel é classificado com base no tipo de papel, no peso, no uso, sua cor e se ele foi previamente reciclado. Depois, um banho quente de água e químicas reduz o papel a uma substância fibrosa e pastosa. Depois, ímãs, gravidade e filtros removem coisas como grampos, colas (em inglês) e outras químicas indesejáveis da polpa. A tinta é removida tanto por lavagem química quanto soprando-a para a superfície onde ela é filtrada. A polpa (que pode ser clareada) é então borrifada e enrolada em folhas planas que são pressionadas e secas. Às vezes, polpa nova é acrescida à polpa reciclada para fortalecer o papel. As folhas de papel gigantes, quando secas, são cortadas no tamanho adequado para serem vendidas novamente aos consumidores [fonte: Guia Essencial].

 

Vidro
Reciclar vidro representa economia de energia e custo significante em relação à fabricação de vidro virgem porque virtualmente não há perdas quando o vidro é reciclado. Existem duas maneiras de reciclar o vidro. Algumas empresas coletam garrafas de seus clientes e as limpam e desinfetam completamente antes de reutilizá-las. Outros recicladores de vidro classificam o vidro por cor (claro, verde e marrom não devem ser misturados porque dão um efeito manchado ao vidro). O vidro é assentado em pequenos punhados finos conhecidos como cullet, completamente peneirados e filtrados por meio do uso de lasers, ímãs e peneiras, e depois derretido e convertido em vidro novo.

No Brasil, 46% das embalagens de vidro são recicladas, representando um total de 390 mil toneladas por ano. Desse total, 40% são oriundos da indústria de envaze, 40% do mercado difuso, 10% do "canal frio" (bares, restaurantes, etc) e 10% do refugo da indústria. A reciclagem desse material não é maior devido ao seu peso, o que encarece o custo do transporte da sucata [fonte: ABRE].

 

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Fotógrafo: Quayside | Agência: DreamstimeVidro colorido precisa ser separado antes da reciclagem para evitar cores manchadas

 

Somente o vidro usado em recipientes como jarros e garrafas é comumente reciclado. Vidro de janelas e vidro usado em lâmpadas são muito caros e difíceis de reciclar.

 

Aço
A reciclagem de aço de automóveis e edifícios antigos tem uma longa história. O aço é relativamente fácil de reciclar: máquinas gigantes trituram carros velhos e resíduos de construção. A lei norte-americana, por exemplo, requer que uma determinada proporção de todo aço produzido seja aço reciclado: todo o aço dos Estados Unidos contém, pelo menos, 25% de aço reciclado.

Depois de classificada, a sucata de aço é derretida e refinada novamente em enormes folhas ou bobinas. Essas folhas ou bobinas podem ser enviadas para fabricantes para a produção de carrocerias de carro ou materiais de construção.

Se considerarmos os índices de reciclagem de carros velhos, eletrodomésticos, resíduos de construção civil, ou seja, todos os segmentos do aço e somarmos aos índices das embalagens deste material, o Brasil recicla cerca de 70% de todo o aço produzido anualmente [fonte: ABRE].

 

 

Inovação da reciclagem: o aço do World Trade Center
Muitos dos escombros de aço dos ataques terroristas no World Trade Center foram enviados para a China (um mercado faminto por sucata de metal), ao passo que algumas peças foram recicladas nos Estados Unidos de formas simbólicas. Várias toneladas do aço do Trade Center foram recicladas e usadas para a construção do casco do navio de assalto anfíbio da Marinha americana, o USS New York [fonte: Snopes.com - em inglês].

Pequenos pedaços de aço do World Trade Center foram impressos com bandeiras americanas e usados na construção dos veículos Spirit e Opportunity da Nasa em Marte [fonte: NY Times - em inglês].

Outros itens reciclados

 

Plásticos
O plástico constitui um sério problema porque é muito barato de se produzir e sua biodegradabilidade é muito lenta, em razão de suas cadeias moleculares longas e complexas. Quando o plástico é reciclado, geralmente é transformado em uma nova forma. O plástico é classificado em diferentes tipos e cores, filtrado e peneirado de contaminantes, depois cortado e derretido em bolotas ou extrusado na forma de fibras. Esses materiais podem ser usados de muitas maneiras: tecido de lã acrílica, materiais de construção duráveis, móveis moldados ou material isolante.

Dezesseis e meio por cento dos plásticos rígidos e filme são reciclados em média no Brasil, o que equivale a cerca de 200 mil toneladas por ano. O Brasil ocupa o 4º lugar na reciclagem mecânica do plástico, ficando atrás apenas da Alemanha, Áustria e EUA. Os programas oficiais de coleta seletiva, que existem em mais de 200 cidades do País, recuperam por volta de mil toneladas por ano de garrafas descartáveis.

 

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Foto cedida stock.xchng
Papéis empacotados prontos para serem reciclados

Latas
As latas de alumínio são uma história de sucesso parcial: quando são recicladas, economizam 95% da energia usada para fabricar latas novas, sem mencionar a energia poupada e a poluição causada pela mineração e refinamento da bauxita, o mineral do qual o alumínio provém [fonte: Guia Essencial]. Em 2005, 96,2% da produção brasileira de latas foi reciclada. Em 2003, o índice foi de 89%. Os números brasileiros superam países industrializados como Japão e Estados Unidos [fonte: CEMPRE]. Quando recicladas, as latas são cortadas e depois aquecidas para remover o revestimento de tinta. Os pedaços derretem e se misturam em uma fornalha vortex. Após ser filtrado e tratado, o alumínio derretido é inserido em lingotes, que são enrolados em folhas planas prontas para se transformarem em novas latas [fonte: Guia Essencial].

 

Eletrônicos
Reciclar bens eletrônicos não é tão comum quanto reciclar latas ou plásticos. É bastante trabalhoso separar os muitos componentes de um equipamento eletrônico e os preços de mercado para sucata eletrônica não são altos. De fato, a reciclagem de eletrônicos custa dinheiro aos consumidores e aos negócios, e existe uma variedade de materiais tóxicos que são encontrados neles, como mercúrio, chumbo e refrigerantes químicos. Existem empresas especializadas em reciclar esse "lixo eletrônico", contudo, podem descartar com segurança ou reutilizar esses materiais por uma taxa nominal.

 

Outros
Existem dezenas de outros materiais que podem ser reciclados. O lixo orgânico pode ser compostado e transformado em fertilizante. Os pneus podem ser cortados em tiras, descontaminados e transformados em material isolante ou outros produtos inovadores. Se você está procurando novas maneiras de reciclar, simplesmente pense um pouco quando estiver jogando alguma coisa fora. Isso poderia ser reutilizado ou desmontado de uma maneira útil?

 

Inovação da reciclagem: pneus velhos em campos de futebol
Os milhões de ­automóveis nas estradas criam inúmeros problemas de gestão de resíduos, não menos do que aqueles gerados pelos pneus. Deixados em caçambas, eles podem pegar fogo ou se decompor e liberar componentes tóxicos no solo e lençóis freáticos. Existem, contudo, inúmeros usos novos para pneus velhos. Os pneus são cortados em tiras e filtrados de componentes que não sejam borracha. A Rubber Bark usa as tiras de pneus para criar coberturas de paisagismo [fonte: Rubber Bark - em inglês]. Ainda mais surpreendente, algumas empresas cortam os pneus em pedacinhos e criam um tipo de solo falso usado sobre a área artificial de campos de futebol e futebol americano. Um campo pode usar entre 20 e 40 mil pneus velhos [fonte: American Recycler - em inglês]. Os pedacinhos de borracha preenchem os espaços entre as lâminas de grama artificial, proporcionando estabilidade à superfície e uma sensação mais natural e macia.

Centros de reciclagem

Os programas de reciclagem no mundo assumem cinco formas principais.

 

Recolhimento nas calçadas
Caminhões especiais com contêineres separados para diferentes tipos de materiais recicláveis andam pelas ruas da cidade exatamente como os caminhões de lixo. Os trabalhadores fazem uma classificação prévia dos materiais à medida que os arremessam dentro do caminhão. Algumas comunidades exigem que os moradores classifiquem e separem os materiais recicláveis, mas isso pode reduzir o índice de participação.

 

Centros de descarte
Um local central é estabelecido para aceitar materiais recicláveis que os próprios moradores transportam. Mesmo comunidades com sistemas de recolhimento nas calçadas ainda podem ter centros de descarte para a recuperação de materiais perigosos como tinta ou gás propano.

 

recycling center sign
Foto cedida stock.xchng
Fique atento aos centros de reciclagem em sua área

Buy-back centers
Esses centros são similares aos centros de descarte exceto que eles pagam aos moradores por seus itens com base em valores de mercado. Esses centros são mais comumente vistos como parte de um negócio varejista, como um ferro-velho que compra metal amassado por peso.

Cooperativas de catadores
As cooperativas de reciclagem são organizações compostas por catadores de materiais, em geral, a população pobre da comunidade. Além de coletar materiais descartados em vias públicas, elas comumente firmam convênios com indústrias e condomínios, bem como recebem materiais entregues voluntariamente pela população.

Programas de depósito/refinanciamento
Esses programas são familiares a qualquer um que já tenha comprado uma bebida em lata ou garrafa. O depósito (geralmente cinco centavos) é acrescido ao preço de venda. Você pode então devolver a garrafa ou lata vazios para um centro de coleta e resgatá-los por um reembolso do depósito.

Muitas comunidades lutam para compensar seus programas de reciclagem, nos quais os benefícios de custo dependem da ampliação da participação, o que é difícil de conseguir em grandes áreas urbanas. Se uma municipalidade se compromete com um programa de reciclagem, geralmente torna-se ilegal jogar fora materiais recicláveis. As pessoas, porém, raramente são processadas ou multadas por essa ofensa.

O Brasil é considerado referência para o mundo por meio de seu modelo de reaproveitamento de materiais que nasceu naturalmente do valor econômico destes, gerando simultaneamente ganhos sociais e ambientais, atendendo assim ao estudo internacional compilado no Relatório Nosso Futuro Comum (Eco 92), que evidencia os fatores econômicos, sociais e ambientais como indissoluvelmente ligados.

Assim, tendo em vista a disponibilidade de matéria-prima, o potencial de geração de valor, trabalho e renda nela contida, cujo aproveitamento depende hoje apenas de iniciativas pontuais, a Associação Brasileira de Embalagem - ABRE propõe a criação do Programa Brasileiro da Reciclagem. O objetivo do Programa será articular os agentes responsáveis e identificar os entraves e as oportunidades, propondo diretrizes e ações gerais visando maximizar a reciclagem no Brasil. O Programa Brasileiro de Reciclagem tem por objetivo estimular a reciclagem de embalagens e criar mecanismos para que ela se torne mais abrangente e efetiva, aumentando os elevados índices já computados no Brasil [fonte: ABRE].

 

 

Rei da sucata?

Em 2005, o mercado brasileiro de sucata de latas de alumínio movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão e gerou cerca de 55 mil empregos diretos, reciclando mais de 9,4 bilhões de latas de alumínio, o que representa 127,6 mil toneladas.

Essa sucata é recolhida e armazenada por uma rede de 130 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas.

As latas de alumínio vazias são amassadas por prensas, algumas delas computadorizadas, que fornecem o valor referente a quantidade entregue. O material é enfardado e repassado para indústrias de fundição. Então as latinhas são derretidas e transformadas em lingotes de alumínio. Esses blocos são vendidos para os fabricantes de lâminas de alumínio que, por sua vez, comercializam as chapas para indústrias de lata. O material pode ser reciclado infinitas vezes sem perda de nenhuma de suas características.

Com a evolução desse processo já é possível que uma lata de bebida seja colocada na prateleira do supermercado, vendida, consumida, reciclada, transformada em nova lata, envasada, vendida e novamente exposta na prateleira em apenas 33 dias [fonte: CEMPRE].


Enquanto os Estados Unidos reciclam mais de 30% de seu lixo sólido, alguns países da Europa têm uma taxa muito mais alta. Alemanha, Suécia, Áustria e Holanda desfrutam de taxas de reciclagem de 40 a 60%. A Grécia, Irlanda e Grã-Bretanha, porém, são famosas por suas baixas taxas de reciclagem. No mundo em desenvolvimento, as taxas são ainda piores, e a reciclagem é quase inexistente em muitas nações [fonte: Guia Essencial]. Já o Brasil, mesmo quando comparado a alguns países desenvolvidos, apresenta elevados índices de reciclagem. O país desenvolveu métodos próprios para incrementar essa atividade e o engajamento da população contribui ainda mais para o aumento do índice de embalagens reaproveitadas [fonte: CEMPRE].

 

Críticas à reciclagem

A reciclagem está obtendo cada vez mais aceitação no mundo todo, mas nem todos concordam que essa seja a melhor maneira de lidar com os problemas ambientais do lixo. Existem várias críticas à reciclagem.

 

 

recycle logo
Foto cedida stock.xchng
Observe esse logotipo para saber se um produto é reciclado ou onde existe um centro de reciclagem

 

A reciclagem causa problemas ambientais maiores
O processo de reciclagem de um produto antigo em algo reutilizável usa energia e cria poluição. Os críticos alegam que a reciclagem é simplesmente um jogo que termina empatado, no qual os poluentes e resíduos da fabricação de nossos bens se transformam na indústria da reciclagem. Para alguns tipos de reciclagem, isso pode ser verdade: a compensação entre novos produtos e algumas formas de plástico reciclado, por exemplo, são questionáveis. Existem, contudo, pelo menos várias maneiras de reciclar que oferecem claros benefícios em termos de energia usada, recursos naturais consumidos, poluentes liberados e espaço de aterro utilizado.

 

Não há, de fato, um problema de lixo
Alguns alegam que não existe uma "crise do lixo". Eles dizem que há muito espaço para aterros - aterros são uma maneira segura e simples de armazenar tanto lixo quanto precisamos [fonte: ECOWorld - em inglês]. É verdade que, tecnicamente, existe muito espaço nos países para armazenar o lixo, mas a idéia de encher vales e campos com lixo não atrai muitas pessoas, e certamente menos ainda aquelas que moram próximas desses vales e campos.

 

A reciclagem nos dá uma falsa sensação de segurança
Essa crítica está intimamente ligada à questão de a reciclagem causar seu próprio impacto ambiental. Em razão desse impacto, a reciclagem somente representa uma melhoria menor em relação aos aterros ou incineradores de lixo. Ela faz, porém, as pessoas sentirem que estão realizando alguma coisa importante para proteger o meio ambiente. A reciclagem também pode encorajar uma atitude de consumismo autorizado: as pessoas acham que não há problema em comprar e usar produtos ambientalmente prejudiciais como água engarrafada (em inglês) ou fraldas plásticas porque compensam isso por meio da reciclagem. Esses pontos de vista levam a uma solução definitiva: comprar menos coisas. Comprar bens reutilizáveis ou simplesmente comprar menos coisas das quais não precisamos é a melhor maneira de interromper o fluxo do lixo na fonte.

fonte:Ed Grabianowski.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem".  Publicado em 17 de agosto de 2007  (atualizado em 18 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem.htm  (25 de setembro de 2010)

publicado por adm às 16:41

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