Reciclagem

Dezembro 05 2010

Fabricadas à base de vapor de mercúrio, elemento altamente tóxico, as lâmpadas fluorescentes queimadas são objeto de permanente preocupação por parte das autoridades ambientais. Estima-se que mais de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes sejam consumidas anualmente no Brasil. A maior parte ainda é descartada em lixões, aterros sanitários ou em terrenos baldios, sem qualquer tipo de tratamento, contaminando solo, vegetação e água com metais pesados, como mercúrio e chumbo.

Mas graças ao uso do papa-lâmpadas, possível por meio da parceria entre as empresas Escolha Ecológica Engenharia Ltda., da cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, com a Naturalis Brasil, de São Paulo, esse cenário pode mudar. A máquina tritura e separa os resíduos tóxicos, tornando mais barato, eficiente e descomplicado o processo de descarte e descontaminação dessas lâmpadas. O processo foi desenvolvido com recursos do programa Apoio à Inovação Tecnológica, da FAPERJ.

Se por um lado as lâmpadas fluorescentes são um grande potencial poluidor, por outro, em caso de reciclagem, delas tudo se pode aproveitar. O mercúrio pode ser reempregado como matéria-prima para a indústria farmacêutica ou para a produção de termômetros. O vidro, uma vez triturado, é inteiramente reaproveitado como material para revestimento de pisos cerâmicos ou para indústria vidraceira.

Ao licenciar a tecnologia da empresa americana Air Cycle Corporation, os sócios Thiago Santos Alves de Oliveira e Bruno Faria de Azevedo, engenheiros ambientais, passaram a contar com a tecnologia do "papa-lâmpadas", dispositivo móvel que coleta lâmpadas fluorescentes de tubo ou de bulbo e as descontamina no próprio local. A ideia dos dois engenheiros surgiu ainda nos tempos de faculdade de engenharia ambiental.

- O descarte de lâmpadas fluorescentes e a liberação de seus resíduos tóxicos, principalmente o mercúrio era algo que nos preocupava. Resolvemos então usar um equipamento que simplificava o processo e barateava o custo - diz Bruno Azevedo.

Concebido para uso em larga escala, no Brasil, o equipamento foi adaptado para o uso sem restrições pelo tipo nem pelo número de lâmpadas. Tambor metálico de 200 litros, o equipamento tem capacidade para armazenar até 850 lâmpadas e um sistema de filtragem triplo: um filtro para o pó fosfórico, outro para as partículas de vidro e um terceiro para retenção de gases tóxicos. Na primeira etapa, as lâmpadas são trituradas no interior do tambor. Em seguida, o primeiro filtro captura o pó de fósforo e as micropartículas de vidro.

O segundo filtro retém substâncias, como mercúrio, bário, cádmio, zinco e micropartículas alumínio, entre outros. Ali, o filtro de carvão ativado fica impregnado pelos vapores de mercúrio, que é passado para uma embalagem especial, hermeticamente fechada. Passados dois anos, o vapor de mercúrio é convertido à forma líquida para ser utilizado em indústrias farmacêuticas. Da coleta à separação e descontaminação dos elementos, tudo é feito pela empresa fluminense. De lá, os resíduos são enviados para a Naturalis Brasil, que tem licenças ambientais e já possui uma destilaria para o processamento do mercúrio. Ali, ficam estocados para novo uso industrial.

O equipamento é portátil e sua operação segue todos os requisitos de segurança. Os operadores usam equipamentos de proteção, como máscaras, óculos protetores, luvas e botas, especialmente para evitar qualquer contato com o vapor de mercúrio. Uma das vantagens do sistema é que ele não tem limite mínimo de lâmpadas: como o tubo da máquina é removível, ela pode processar apenas uma lâmpada, e ainda armazenar, em cada um de seus tambores, entre 850 e 1.000 lâmpadas, dependendo do tamanho.

Entre os clientes que contrataram os serviços de descontaminação da Escolha Ecológica, estão empresas de grande porte, como Volkswagen, Peugeot e Votorantim, todas empresas do sul fluminense, além de prefeituras e órgãos públicos.

- Estimamos que a Escolha Ecológica já descontaminou mais de 150 mil unidades de lâmpadas fluorescentes. Nosso próximo passo é a obtenção de todas as licenças ambientais, de modo a eliminar a necessidade do envio dos resíduos gerados no processo para São Paulo - fala Bruno.

Para quem não sabe, uma simples lâmpada fluorescente possui cerca de 40 elementos químicos, com diferentes graus de toxicidade. Entre eles, estão presentes resíduos de mercúrio e chumbo que excedem os limites toleráveis pelo organismo humano. Como exemplo, sabe-se que, em caso de vazamento, o mercúrio contido em apenas uma delas é o suficiente para poluir cerca de 20 mil litros de água. Esta água, se ingerida, pode causar doenças como anemia, paralisia e câncer, afetando também fígado, rins e pulmões.

Segundo o engenheiro, uma das vantagens da empresa é prestar o serviço no local, à vista de todos, independentemente da quantidade, tamanho e diâmetro da lâmpada.

- Outra vantagem é a redução de custos. As empresas que operam no mesmo ramo, coletam a lâmpada inteira, transportando, assim, um resíduo perigoso, e trabalham com roteiros de coleta, fazendo com que as empresas tenham, elas próprias, que manipular e acondicionar adequadamente as lâmpadas. Além disto, cobram fretes e preços diferenciados por tamanho de lâmpada, pois precisam de espaço nos caminhões que transportam a lâmpada inteira - compara Bruno.

- Nossa empresa desenvolve um trabalho socioambiental importante, também orientando a população, especialmente os estudantes das escolas públicas, sobre os procedimentos adequados de eliminação de produtos contendo resíduos tóxicos, e alertando sobre os perigos do descarte inadequado de lâmpadas fluorescentes.

Em palestras e em demonstrações em escolas públicas, associações de moradores e eventos, Bruno Azevedo e Thiago de Oliveira explicam o funcionamento do papa-lâmpadas.

- Acreditamos que a importância de nosso trabalho é imensa, pois tentamos convencer empresas, prefeituras e a população em geral a dar o destino correto para resíduos que, de outra forma, vão para os lixões, contaminando o meio ambiente e fazendo mal à saúde - afirma Bruno Azevedo.

fonte:abn

publicado por adm às 16:43

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