Reciclagem

Dezembro 20 2011

A Associação de Reciclagem dos Resíduos de Embalagens de Vidro acredita que o País poderá atingir o rácio de 60 por cento de retomas, a que está obrigado neste segmento. Isto apesar da Sociedade Ponto Verde apontar para o não cumprimento da meta específica na sua licença, que finda precisamente neste mês, e que, de acordo com os dados disponíveis das retomas de Novembro, deverá situar-se próximo dos 54 por cento. «Julgamos que será difícil alcançar a meta na SPV, embora possa ser alcançada pelo País», adiantou João Letras, no seminário sobre Gestão de Resíduos, organizado pela Apemeta, na semana passada. 

Em 2010 a taxa de reciclagem do vidro de embalagem situou-se nos 57 por cento, correspondendo ao rácio entre 225 mil toneladas/398 mil toneladas. Beatriz Freitas, técnica da CERV – Associação de Reciclagem dos Resíduos de Embalagens de Vidro, lembra que a dispersão geográfica e local, dos estabelecimentos de restauração dificulta e encarece as retomas dos resíduos das embalagens de vidro por si produzidos.

Apesar de «muitas autarquias fazerem um esforço no sentido de colocar ecopontos junto destes estabelecimentos, deveria existir uma recolha mais consistente dos resíduos de vidro existentes no canal Horeca», sublinha a responsável. Para tal, existirão «seguramente» operadores privados disponíveis para dar resposta a esta necessidade, só que «os regulamentos internos das autarquias, sobretudo nas de maior peso, nem sempre têm abertura para esta solução».

Em alguns casos já existe acordo dos estabelecimentos do canal Horeca para depositar os seus resíduos de vidro nos ecopontos existentes, mas «a necessidade de redução de custos, que tem sido uma constante nos últimos anos não permite aumentar o número de ecopontos». 

A grande questão está no facto de Portugal exportar directamente mais de 50 por cento das embalagens (em vazio) que produz, e se se considerar o circuito das embalagens em cheio, esta percentagem sobe para cerca de 70 por cento da produção nacional de vidro. Ora, «a referência aos cálculos anuais acaba por distorcer a realidade do mercado nacional, uma vez que as variações de stocks influenciam sempre, positivamente ou negativamente, o cálculo do consumo nacional», adianta Beatriz Freitas. Os 60 por cento têm que ser vistos como um objectivo pretendido, cuja manutenção terá de ser garantida no próximo futuro, segundo a representante do sector. 


Novas metas podem ser revistas em baixa

João Letras lembra precisamente que «em relação ao vidro qualquer subida na taxa de reciclagem será difícil de cumprir. Por isso, estamos a olhar para as embalagens de vidro que possam ser recuperadas das unidades de TMB [tratamento mecânico e biológico]». É que este novo fluxo emergente poderá vir a colmatar as necessidades de cumprimento da meta da SPV ou fazer face a novas exigências europeias que se venham a estabelecer. 

Apesar de ainda não existirem metas fixas para estes materiais, para cada um dos Estados-membros, o futuro das taxas de reciclagem poderá ser bem diferente: Rui Cunha Marques, do Instituto Superior Técnico, alerta que na reciclagem de embalagens, as metas europeias podem mesmo ser revistas em baixa.

O investigador, que está a liderar um estudo europeu sobre o impacto da directiva embalagens e das taxas de reciclagem em vigor nos Estados-membros, diz que «não haverá condições para se aumentar estas metas. A tendência será para desregular a reciclagem, tendo em conta que temos níveis muito elevados de exigências, e apostar noutras vertentes, como por exemplo a valorização energética, que poderá vir a ter metas». 

O estudo EIMPack – Economic Impact of the Packaging and Packaging Waste Directive, tem como objectivo perceber se as taxas de reciclagem definidas na Directiva nº 94/62/CE, transposta para a legislação nacional através do Decreto-Lei nº 92/2006, já ultrapassaram a sustentabilidade em termos económicos e ambientais nos Estados-membros.

A primeira fase do estudo passou pela análise de cinco casos de estudo – Portugal, França, Alemanha, Reino Unido e Roménia – que ainda se encontram em fase de finalização com excepção do caso português. Para o caso nacional determinou-se que, antecipando-se o cumprimento das metas estabelecidas (um mínimo de 55 por cento em peso dos resíduos de embalagens até 31 de Dezembro deste ano), os sistemas podiam ser melhorados em termos de eficiência. Isto porque a SPVnão está a premiar a eficiência dos sistemas através do pagamento dos valores de contrapartida. Uma situação, que a SPV pretende ver alterada na licença que está em negociação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). 

Os dados analisados permitiram apurar que do ponto de vista meramente financeiro os custos estão avaliados em cerca de 290 euros a tonelada. Mas a análise económica, que incluiu os benefícios (nomeadamente os ambientais) determina que os benefícios são superiores aos custos, na ordem dos 50 euros a tonelada, o que significa que a SPV estará a pagar mais do que devia aos sistemas que fazem a recolha dos resíduos de embalagens e que a eficiência desses sistemas deve ser aumentada.

Esta percepção vai no sentido do que a SPV tem vindo a afirmar, conseguindo a revisão em baixa dos valores de contrapartida ainda para este ano, na ordem dos 10 por cento.

fonte:http://www.ambienteonline.pt

publicado por adm às 11:21

Setembro 26 2010

O vidro é um produto 100% reciclável. É possível aproveitá-lo de várias formas. A mais simples e visível é a embalagem retornável de refrigerante ou cerveja. É verdade, que as garrafas Pets concorrem diretamente com essas embalagens, mas há muitos lugares no Brasil e no mundo onde o velho litro de Coca-cola, que sai mais barato, ainda é uma presença marcante, assim como a garrafa de cerveja retornável. Além disso, quem não tem em casa aquele pote de maionese ou geléia que depois recebeu uma outra finalidade? Afinal, lavando bem, qualquer embalagem de vidro não deixa nenhum resquício do gosto do produto que antes esteve lá, ao contrário das embalagens de plástico, que quando recicladas têm seu uso proibido para produtos alimentícios.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas
Garrafas de vários tipos ou retalhos de vidros,
muita coisa pode ser usada na reciclagem


Além disso, os cacos de vidro são também reutilizáveis com praticamente 100% de reaproveitamento. A utilização dos cacos na fabricação proporciona, obviamente, uma economia de matéria-prima, além da redução do dispêndio de energia. Para uma tonelada de vidro reciclado, evita-se a retirada de 1,2 tonelada de matéria-prima da natureza. Quanto à questão energética, em um produto com 10% de cacos, é possível reduzir 4% da energia que seria gasta (Fonte: Abividro). Outra vantagem de reciclar o vidro é que evita-se que se jogue na natureza um produto que não é biodegradável. Arqueólogos já encontraram pedaços de vidro datados de 2 mil aC intactos em escavações (Fonte: Nassour). Um dos maiores problemas da reciclagem de vidro é sua logística. Apesar de já serem tradicionais as fábricas de reaproveitamento de garrafas (o velho garrafeiro), o seu crescimento ainda é recente, provocado pela onda de adesão à reciclagem dos últimos anos. Além disso, há certos limites técnicos para a reciclagem.

Entenda um pouco mais sobre esses e outros detalhes da reciclagem de vidro nas próximas páginas.

Em 16 anos, reaproveitamento triplicou

­­De 1991 para 2007, o índice de reciclagem de embalagens de vidro no Brasil cresceu de 15% para 47% (veja tabela abaixo). Essa mudança foi possível depois que a reciclagem começou a fazer parte da pauta das indústrias, dos políticos e do cidadão comum. A ampliação das cooperativas de catadores e, indiretamente, a ampliação do sistema de reciclagem de latas de alumínio ajudaram o crescimento.

­
Índice de reciclagem de embalagem
de vidro no Brasil
1991 15%
1992 18%­
1993 25%
1994 33%
1995 35%
1996 37%
1997 39%
1998 40%
1999 40%
2000 41%
2001 42%
2002 44%
2003 45%
2004 45%
2005 45%
2006 46%
2007 ­47%
Fonte: Abividro



Cerca de 3% do lixo brasileiro são compostos de vidros, mas, há algumas limitações. Entre elas a constatação de que existem certos tipos de vidros que não podem ser reciclados. Por exemplo, os temperados. Por isso, as estatísticas acima são apenas das embalagens de vidro como as garrafas. Obviamente, outros tipos de vidros podem ser beneficiados como os de uso doméstico. Mas as pessoas jogam muito menos copos de vidro do que de garrafas no lixo, não é?

Outra limitação é que muitos catadores priorizam outros produtos em relação ao vidro como os papéis ou as latas de alumínio. Entre os motivos, claro, está a segurança, afinal, papel não corta as mãos e latas não se estilhaçam. Além disso, o vidro paga pouco nesse mundo da reciclagem em relação a outros produtos. Por um quilo de vidro, o catador recebe R$ 0,21 (dados de 2008), já um quilo de latinhas sai por R$ 3,70. É bem verdade, que um quilo de vidro se faz com três embalagens, enquanto um quilo de lata de alumínio é formada por mais de 70 latinhas, segundo o consultor de recilagem da Abividro, Stefan David.

Importante no ciclo, o catador não é o único fornecedor da reciclagem. As chamadas fontes difusas, que englobam as cooperativas, são responsáveis por 40% dos vidros velhos e quebrados que entram na reciclagem. Outros 40% vêm das indústrias de envase; 10%, de estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes ou hotéis e 10 % são refugo da própria indústria de vidros. (Fonte: RTS).

Todo esse vidro que entra nas indústrias de processamento acaba sendo parte do material que se transformará em vidro. As técnicas mais avançadas conseguem até 95% de reaproveitamento do caco em uma embalagem nova. É o chamado limite técnico, que poucos países conseguem atingir. A Suíça é a mais avançada nesse setor. No Brasil, a mistura de caco varia de 45% a 55%.

Mas antes de você conhecer o processo de reciclagem do vidro, conheça um pouco mais sobre ele mesmo. ­

O que é vidro?

 

Sólido ou líquido?

O vidro parece sólido, mas, na verdade, é líquido. A definição científica para o vidro é " um liquido de elevada viscosidade que foi super-resfriado sem ocorrência de cristalização".

O vidro é um dos produtos mais antigos da história. Egípcios e mesopotâmicos já usavam-no como jóia. E ele existe naturalmente em pequenos cacos na natureza quando ocorre, por exemplo, uma erupção vulcânica próxima aos locais onde há suas matérias-primas. A descoberta, no entanto, é atribuída aos fenícios. Segundo o historiador romano, Plínio, o Velho, os mercadores da Fenícia foram acampar e descansar na praia e fizeram uma fogueira. Acidentalmente, o salitre que eles carregavam entrou em contato com a areia e o fogo e transformou-se em vidro (Fonte: Vidroonline).

Basicamente, vidro é feito de areia, ou seja, sílica ou dióxido de silício (SiO2), barrilha (Na2CO3) e calcário (CaCO3). Mas, ainda com os romanos, o vidro recebia outros componentes como ferro ou chumbo como ornamentação. (Fonte: Molina) Basicamente, o processo de fabricação do vidro consiste em aquecer as matérias-primas a 1.600 º C e moldar a peça durante o seu resfriamento.

A famosa técnica do sopro para produção de utensílios surgiu há mais de 2 mil anos entre os simérios e perdurou praticamente exclusiva por séculos. Outras técnicas foram surgindo, principalmente, durante o século 19 e depois no século 20. Foi nessa época, por exemplo, que o belga Émile Fourcault inventou um processo mecânico responsável por estirar a massa do vidro. Já o vidro temperado surgiu em 1925. Outras técnicas como os fornos contínuos e equipamento automáticos começaram a ser inventados e usados nesse período (Fonte: Pinkgton e Abrividro). Aliás, você sabe a diferença do vidro temperado, do blindado ou comum?

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas
Garrafas de vidro são os tipos mais usados nas reciclagens

Quando for mandar vidros para reciclagem é preciso seguir algumas regras. A principal é que não se deve mandar vidros temperados (aqueles que quebram mas não cortam) e técnicos como os de lâmpadas ou de tubos de televisão. Os vidros temperados tem um processo de fabricação diferenciado. Eles têm um aquecimento com temperaturas menores e um resfriamento controlado. O processo é repetido vários vezes provocando a criação da têmpera, o que prejudica a reciclagem. O vidro laminado, como o próprio nome diz, são várias lâminas de vidro juntas. Já o vidro blindado ou, à prova de balas, contém uma camada de resina que evita estilhaça-lo e também que o projétil ultrapasse o limite do vidro.

Além desses tipos, existem as fibras de vidro, que são filamentos de vidro de pequeno diâmetro, de alta resistência elétrica, revestidos com outros compostos. A lã de vidro é um tipo de fibra de vidro. E esses materiais ainda não têm processo industrial para reciclagem.

Bom, agora que você conhece o vidro, veja como ele é reciclado.

Processo de reciclagem

­O reaproveitamento dos cacos para a confecção de novos vidros pressupõe uma certa homogeneidade no tipo de material a ser reciclado. Assim, os vidros de cor âmbar, como os de garrafa de cerveja, são beneficiados num grupo separado dos vidros verdes ou brancos, por exemplo. Há também grupos que podem estar misturados. Esses podem ser usados para quem não necessita de padrões muito rígidos e homogêneos.

 

­

­reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Bom, separados os tipos, o processo de preparação é bem simples.

 

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

O material é jogado para ser quebrado em pedaços. O que a máquina não quebra é quebrado manualmente.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Depois, ele passa por uma lavagem, quando são retiradas impurezas mais leves como etiquetas e restos de bebidas.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Uma nova triagem retira tampas e eventuais plásticos e papéis que, por ventura, ficaram. Na esteira, ele caia no monte que segue para a indústria de vidro.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas

 

Na indústria de vidro, o caco é jogado nos fornos com temperaturas de 1.500º C e se mistura às outras substância.

 

reciclagem de vidro
Luís Indriunas


Uma interessante fase do processo é o reaproveitamento dos vidros que sobram grudados em tampas ou outro produto. Uma máquina quebra o vidro em minúsculos pedaços que servem para polimento de fornos de usinagem.

fonte:Luís Indriunas.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem de vidros".  Publicado em 24 de outubro de 2008  (atualizado em 29 de outubro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-vidro.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 17:34

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