Reciclagem

Setembro 26 2010

São 1,2 bilhão de pilhas e 400 milhões de baterias de celular comercializadas por ano no Brasil, segundo dados do Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica - Abinee. Assim, como essa quantidade enorme chega às mãos do consumidor, uma quantidade também enorme delas sai das mãos do consumidor. E a grande maioria vai para a lata de lixo comum.

 

Recicalgem de pilhas

Tal informação não deveria preocupar, já que, desde 2000, todas as pilhas produzidas no Brasil têm quantidades mínimas ou quase nulas dos metais pesados mais poluidores como cádmio, mercúrio e zinco, dentro do que está estabelecido pela resolução 257 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), editado em 1999. Pela lei, o perigo da poluição por metais pesados em pilhas e baterias é mínimo e assim, qualquer um poderia fazer coro com boa parte dos empresários do setor que diz que é possível jogar as pilhas no lixo. O problema é que a realidade brasileira não é nada animadora. Primeiro que a instrução de jogar no lixo é válido se o houver um bom manejo do aterro sanitário, o que é uma realidade existente em apenas 10% dos aterros brasileiros, segundo estimativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Além disso, nem toda pilha que você compra está dentro do padrão já que 33% do mercado são formados pelas chamadas “baterias ilegais”. Ou seja, cerca de 400 milhões de pilhas e baterias vêm de contrabando e outras origens, sem nenhuma segurança de que elas acompanham as medidas do Conama.

Além dessa dura realidade do mercado brasileiro, os críticos das decisões do Conama lembram ainda que as quantidades sejam mínimas, na verdade, não refrescam muito e o perigo de poluição continua, já que são milhões de pilhas descartadas.

Incipiente no Brasil, a reciclagem ou reaproveitamento das pilhas e baterias é mínimo, tendo apenas uma fábrica em 2008 que a fazia, reciclando cerca de 6 milhões de pilhas e baterias por ano, menos de 1% do comercializado. Trata-se da Suzaquim. Outras empresas de baterias de celulares, por exemplo, colhem o material e enviam para recicladoras fora do Brasil.

Entregar para a reciclagem é a parte que qualquer consumidor pode fazer. Mas para um consumidor com fome por consciência ecológica, um bom caminho é saber como é essa reciclagem para que ela se torne uma realidade maior no futuro, além de conhecer um pouco melhor os produtos derivados. Vamos lá.

As matérias-primas e os danos

Há vários tipos de pilhas que se diferenciam não só no tamanho como também nas utilidades e matéria-prima. Vamos a uma pequena lista.

Comuns – feitas de zinco e manganês. Têm várias utilidades como em brinquedos, rádio-relógios, walkmans, máquinas fotográficas, controles-remotos etc.

Alcalinas – feitas de alcalina e manganês. Têm várias utilidades como em brinquedos, rádio-relógios, walkmans, máquinas fotográficas, controles-remotos etc.

De níquel-metal-hidreto - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks.

De zinco - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks.

De lítio - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras e notebooks

De íon-lítio - usadas em celulares, telefones sem fio, filmadoras, ipods e notebooks

De chumbo – as baterias de carro, além de serem usadas em indústrias e em filmadoras.

De níquel-cádmio – usadas em telefones sem fio, celulares, barbeadores etc.

De óxido de mercúrio – usadas em instrumentos de navegação e aparelhos de instrumentação e controle.

Os três últimos tipos de baterias são as mais danosas ao meio ambiente e à saúde dos seres humanos. A necessidade de devolvê-las aos fabricantes para um destino adequado é essencial. Já os outros tipos têm um impacto menor na saúde e no meio ambiente, mas é bom lembrar que nem por isso, elas deixam causar algum dano. Abaixo, veja quais os principais problemas de cada um desses materiais.


Chumbo - é prejudicial ao cérebro e  sistema nervoso, pode afetar o sistema circulatório rins, sistema digestivo e reprodutor, eleva a pressão arterial, agente cancerígeno acarretando mutação genética. É altamente tóxico.

Cádmio - é um agente cancerígeno, provoca mutações genéticas nas células alterando sua função e pode causar danos ao sistema reprodutivo.

Cromo - causa dermatites, úlceras cutâneas, inflamação nasal, câncer de pulmão e perfuração do septo nasal.

Mercúrio - pode provoca efeitos danosos na pele e mucosas, náuseas violentas, vômito, dor abdominal, diarréia com sangue, danos aos rins e até morte. Em outros casos, a intoxicação pode ser crônica com sintomas como tremores, vertigens, irritabilidade e depressão, associados à salivação, estomatite e diarréia, falta de coordenação motora, perda de visão e audição e deterioração de células nervosas.

Zinco
– Em grandes quantidades, há sintomas como sensações como paladar adocicado e secura na garganta, tosse, fraqueza, dor generalizada, arrepios, febre, náusea e vômitos.

Manganês – o excesso de manganês ingerido impede a atuação do Ferro na produção de hemoglobina, causando irritabilidade, dores de cabeça, insônia e fraqueza nas pernas.

Níquel – apesar de um elemento importante para o desenvolvimento humano,  mas em doses elevadas pode causar irritação gastro intestinal, náuseas, vômitos, diminuição de apite, vertigens, dor-de-cabeça, palpitação, dermatite e asma.

Onde jogar fora as pilhas e baterias

Como já foi dito, para alguns tipos de pilhas e baterias, é imprescindível um descarte correto. É o caso principalmente das que têm uma advertência no corpo do produto com um x em uma lata de lixo. De qualquer modo, a iniciativa de jogar em lixo com destinação certa pode amenizar o problema que já apontamos, mesmo que não haja nenhuma indicação específica, além de ser um caminho contra o desperdício.

 

Aviso nas baterias
©2008 ComoTudoFunciona
Preste atenção, algumas baterias não podem ir para o lixo de jeito nenhum

 

 

Algumas empresas como supermercados, bancos ou redes de farmácia têm seus cestos para descarte de pilhas e baterias. Essas iniciativas são muito interessantes já que, por causa do pequeno volume, esse processo acaba sendo pago pela própria empresa, dentro dos seus programas de responsabilidade social, prontificando-se a recolher os produtos.

O Ministério do Meio Ambiente também tem uma lista de locais para descartes de baterias. Para saber os endereços, clique nos itens abaixo:

  • para pilhas e baterias comuns
  • para baterias de automóveis
  • para baterias industriais.

Além disso, para as baterias de automóveis, é comum no comércio brasileiro você usá-las como base de troca quando for adquirir uma nova. É uma ótima saída, mas se certifique que o vendedor a recicle mesmo.

Como uma bateria pode ser reciclada

Assim como a variedade de tipos e tamanhos de pilhas e baterias é grande, também é variável o número de opções para o reaproveitamento das baterias e pilhas. A seguir, vamos tentar mostrar um pouco do passo-a-passo que é o processo geral para a reciclagem de uma bateria, seja ela industrial ou de uma simples calculadora.

Descarregamento, seleção e separação – Antes de entrar no processo é preciso selecionar os produtos com alguma semelhança de matéria-prima.

 

Descarregamento
Imagem cedida pela Suzaquim
Descarregamento do material recolhido


Corte de pilhas - A primeira separação feita é da carcaça, normalmente de plástico, e do restante. O material que não pode ser reaproveitado segue para as empresas que fazem reciclagem de plástico, por exemplo.

 

Corte de pilhas
Imagem cedida pela Suzaquim
As pilhas são cortadas para a separação dos vários materiais

 

Moagem – Na moagem, acontece a separação de alguns metais como o aço, que também segue para outras empresas que reciclam o material. Neste processo, surge o o pó químico.

 

Moagem
Imagem cedida pela Suzaquim
Equipamento de moagem de pilhas e baterias

 

Reator químico – Esse pó químico passa por reações químicas como precipitações que podem formar diferentes compostos químicos. A escolha do produto vai depender da necessidade do mercado.

 

Reator químico
Imagem cedida pela Suzaquim
Operador manipula pó químico dentro do reator

 

Filtragem e prensagem – Com filtros e prensa, é feita uma nova separação entre líquidos e sólidos.

 

Prensagem
Imagem cedida pela Suzaquim
Prensagem que auxilia na separação de sólidos e líquidos

 

Calcinador – Em uma espécie de forno, os elementos sólidos são aquecidos.

 

Calcinador
Imagem cedida pela Suzaquim
Calcinador aquece os sólidos

 

Nova Moagem – Com os produtos condensados, é feita uma nova moagem.

 

Nova moagem
Imagem cedida pela Suzaquim
Mais uma moagem é feita durante o processo

 

Produto final – São, então, obtidos sais e óxidos metálicos usados por indústrias de tintas, cerâmicas e outros tipos de produtos químicos.

 

Produtos finais
Imagem cedida pela Suzaquim
Possíveis produtos finais da reciclagem de pilhas

 

Tratamento de efluentes - Paralelamente, esse processo recebe um tratamento de efluentes e de gases para deixar o processo o mais limpo possível.

 

 

Tratamento de efluentes
Imagem cedida pela Suzaquim
O tratamento dos efluentes é imprescindível

fonte:Luís Indriunas.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem de pilhas e baterias".  Publicado em 09 de junho de 2008  (atualizado em 13 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem-pilhas-baterias.htm  (26 de setembro de 2010)

publicado por adm às 17:31

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