Reciclagem

Setembro 26 2010

A reciclagem tem um conceito bastante simples: pegue alguma coisa que não tem mais utilidade
e transforme-a em alguma coisa nova em vez de simplesmente jogá-la fora. Pode ser qualquer coisa, desde a reciclagem de papel velho em papel novo até a transformação de uma antiga calota em uma banheira de passarinhos decorativa. Na realidade, a reciclagem pode se tornar bastante complexa: como ela interage
com nosso ambiente, nossa política, nossa economia e até mesmo com nossos próprios padrões de comportamento humano, exerce um papel importante no futuro de nosso planeta. Neste artigo, veremos o que é reciclagem, por que e como ela funciona e algumas críticas a essa prática.

No Brasil, a reciclagem ainda engatinha. Uma pesquisa do governo federal mostra que apenas 0,8% do lixo é reciclado.  O balanço feito em 2008 abrange 247 municípios.

 

O que é reciclagem?

A reciclagem pode assumir várias formas. Em uma escala menor, sempre que você encontra um novo uso para alguma coisa velha, você está reciclando. Um exemplo é transformar caixas de cereal velhas em porta-revistas [fonte: All Free Crafts - em inglês].

 

recycling cans
Foto cedida morgueFilsLatas de alumínio são descarregadas no centro de reciclagem.Confira nossa galeria de imagens ambientais (em inglês).

A reciclagem se torna mais importante em escalas maiores. Nesse nível, bens de consumo usados são coletados, convertidos de volta em matéria-prima e refeitos em novos produtos de consumo. Latas de alumínio, papel de escritório, aço de prédios velhos e recipientes de plástico são todos exemplos de materiais comumente reciclados em grandes quantidades, geralmente por meio de programas municipais que encorajam as coletas domésticas em grande escala.

É raro um produto reciclado ser exatamente do mesmo material original a partir do qual ele foi reciclado. Papel reciclado, por exemplo, contém resíduos de tinta e fibras mais curtas que papel virgem (papel feito de polpa de madeira). Por causa disso, ele pode ser menos desejável para alguns propósitos, como papel para copiadoras. Quando um bem reciclado é mais barato ou mais frágil que o produto original, é conhecido como ciclo inferior (ou reciclagem descendente). Eventualmente, os produtos caem tanto no fluxo de reciclagem que se torna inviável reciclá-los novamente. Após ser reciclado algumas vezes, o papel não é mais utilizável. Em alguns casos, os produtos podem passar por um ciclo superior, transformados em alguma coisa mais valiosa que o produto original. Um exemplo é uma empresa que faz reciclagem ascendente, transformando jornais velhos e latas de alumínio em móveis artísticos [fonte: Stovell Design - em inglês].

 

Fenômeno brasileiro
No Brasil, é impensável falar em reciclagem sem citar os catadores de materiais e suas cooperativas. Não existem números fechados, mas calcula-se que existam de 300 mil a 1 milhão de catadores em atividade no país.

Não é para menos, a população brasileira gera diariamente cerca de 126 mil toneladas de lixo de consumo (excluindo dejetos industriais e empresariais). Não fossem os catadores, tudo acabaria em aterros sanitários e lixões.

 

A profissão, no entanto, é desgastante e insalubre. A maioria dos catadores perambula 30 quilômetros por dia em média, puxando até 400 quilos, em busca de materiais que, muitas vezes, só são encontrados dentro de sacos de lixo. Tudo isso para ganhar de um a dois salários mínimos por mês.

Apesar disso, as cooperativas são verdadeiros centros de reabilitação social e promoção de cidadania, por possibilitam a geração de renda para uma parcela da população socialmente excluída e sem instrução. Cumprem um importante papel de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira.

História da reciclagem

Ainda que a reciclagem possa parecer um conceito moderno introduzido com o movimento ambiental da década de 70, ela já existe de fato há cerca de milhares de anos. Antes da era industrial, você não conseguia produzir bens rapidamente e com baixo custo; assim, virtualmente todos praticavam a reciclagem de alguma forma. Os programas de reciclagem de larga escala, porém, eram muito raros: eram os moradores das casas que predominantemente praticavam a reciclagem.

 

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Foto cedida stock.xchng
Alumínio amassado pronto para ser reciclado em latas novas

 

A produção em massa da era industrial é, de muitas formas, a razão básica pela qual precisamos nos preocupar com a reciclagem em larga escala. Quando os produtos podem ser produzidos e comprados muito baratos, geralmente faz mais sentido econômico simplesmente jogar fora itens antigos e comprar outros novinhos em folha. Essa cultura de bens "descartáveis", porém, criou inúmeros problemas ambientais, que discutiremos em detalhes na próxima seção.


Nas décadas de 30 e 40, a conservação e a reciclagem se tornaram importantes na sociedade dos EUA e em muitas outras partes do mundo. Depressões econômicas fizeram da reciclagem uma necessidade para muitas pessoas sobreviverem, já que elas não podiam pagar por bens novos. Na década de 40, produtos como o náilon, a borracha e muitos metais eram racionados e reciclados para ajudar a suportar o esforço da guerra. A explosão econômica dos anos pós-guerra, porém, causou o fim do conservacionismo da consciência dos EUA [fonte: Hall]. Não foi antes do movimento ambiental das décadas de 60 e 70, preconizado pelo primeiro Dia da Terra (em inglês), em 1970, que a reciclagem novamente se tornou uma idéia corrente. Apesar da reciclagem ter sofrido alguns anos de baixa (por causa da aceitação do público e do mercado de bens reciclados estagnado), de modo geral ela aumentou ano após ano [fonte: Hall]. O sucesso da reciclagem se deve à aceitação do grande público, ao crescimento da economia da reciclagem e às leis que exigem coletas recicladas ou forçam o conteúdo reciclado em determinados processos de manufatura.

 

Inovação da reciclagem: campos de golfe de aterro

E se você pudesse reciclar um aterro inteiro, cheio de milhões de toneladas de lixo? Isso foi realizado em muitos locais, onde o aterro é coberto com terra, plantado com vegetação e transformado em um campo de golfe. O Mountain Gate Country Club, perto de Los Angeles, é um exemplo disso [fonte: Brownfield Golf - em inglês].

Uma outra maneira de reciclar aterros envolve capturar o gás metano liberado pelo lixo em decomposição e usá-lo para produzir energia. A medida é também mitigadora do aquecimento global. Outra maneira é reutilizar os antigos buracos dos aterros, onde o lixo se decompôs, preenchendo-o com lixo novamente.

Benefícios da reciclagem

A maioria das razões pelas quais reciclamos é ambiental, ainda que algumas sejam econômicas.

 

Lixo em excesso
Uma das principais razões para a reciclagem é reduzir a quantidade de lixo enviada para os aterros. O uso de aterros atingiu seu ápice na década de 80, quando os americanos mandaram quase 150 milhões de toneladas de lixo para aterros por ano. Atualmente, ainda são lançados mais de 100 milhões de toneladas de lixo em aterros anualmente [fonte: Hall]. Apesar de os aterros sanitários modernos serem mais seguros e menos incômodos do que os depósitos abertos do passado, ninguém gosta de ter um deles por perto. Nas áreas densamente povoadas, o espaço para aterros é escasso. Onde há muito espaço, enchê-lo com lixo não é uma solução muito boa para o problema.

Em 2006, os esforços de reciclagem nos Estados Unidos desviavam 32% do lixo dos aterros. Isso evita que mais de 60 milhões de toneladas de lixo acabem em aterros anualmente [fonte: EPA - em inglês].

 

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Fotógrafo: Pryzmat | Agência: DreamstimeLixo transborda em um aterro

 

Poluição do chorume do aterro
Os aterros causam um outro problema, além de ocupar muito espaço. A diversidade das químicas lançadas nos aterros e as químicas resultantes da decomposição do lixo se misturam em um caldo tóxico conhecido como chorume, que cria enormes quantidades de poluição. O chorume pode vazar do aterro e contaminar lençóis freáticos. Atualmente, tampas de argila impermeáveis e coberturas plásticas evitam que grande parte do chorume vaze, tornando os aterros muito mais seguros do que eram algumas décadas atrás. Qualquer chorume, porém, é muito se ele estiver penetrando em sua vizinhança.

 

Bens novos consomem recursos
Fabricar um produto novinho em folha sem qualquer material reciclado causa o esgotamento de recursos naturais no processo de manufatura. O papel usa a polpa de madeira das árvores, ao passo que a fabricação de plástico requer o uso de combustíveis fósseis, como petróleo e gás natural. Fazer alguma coisa com materiais reciclados significa usar menos recursos naturais.

 

A reciclagem (às vezes) usa menos energia
Há muito espaço para debate sobre esse aspecto da reciclagem, mas muitos processos de reciclagem requerem menos energia do que os fabricantes precisariam para fazer o mesmo item novinho em folha. A fabricação de plástico é muito barata, e alguns bens de plástico podem ser difíceis de reciclar eficientemente. Nesses casos, o processo de reciclagem provavelmente consome mais energia. Também pode ser difícil calcular todos os custos de energia ao longo da cadeia de produção inteira. A reciclagem de aço certamente usa menos energia que o processo inteiro de mineração do minério de ferro, refinamento e forja de aço novo. Alguns alegam que a frota de caminhões de reciclagem que coleta plástico e papel de porta em porta semanalmente nas cidades abala o equilíbrio da energia contra a reciclagem. O uso da energia é um fator que deve ser considerado caso a caso.

 

Dinheiro
A reciclagem tem uma série de impactos econômicos. Para as empresas que compram bens usados, os reciclam e revendem como produtos novos, a reciclagem é a fonte de toda sua receita. Para cidades em áreas densamente povoadas que devem pagar por tonelagem para usar seus aterros, a reciclagem pode cortar milhões de dólares dos orçamentos municipais. A indústria da reciclagem pode ter um impacto ainda mais amplo. Análises econômicas mostram que a reciclagem pode ser três vezes rentável por tonelada do que aterros, bem como gerar quase seis vezes o número de empregos.

No Brasil, um dos protagonistas da cadeia de reciclagem são as cooperativas de catadores. Elas tem sido responsáveis pela melhoria das estatísticas de reciclagem, além de serem verdadeiros mecanismos de inclusão social (são uma alternativa efetiva de trabalho para boa parte da população carente do País).

Diretrizes da reciclagem

Quase tudo pode ser reciclado, mas certas coisas são mais comuns.

 

Papel
O uso do papel nas nações industrializadas continua a crescer e, em alguns casos, é responsável por quase 20% de todo o lixo doméstico [fonte: Guia Essencial]. Ainda que as árvores usadas para fazer papel novo sejam um recurso renovável, florestas antigas são freqüentemente derrubadas para dar espaço a árvores com polpa, rapidamente plantadas e colhidas para fazer papel. O papel reciclado resulta em uma economia líquida significante em termos de água e energia usadas, assim como os poluentes emitidos no ambiente.

Trinta e três por cento do papel que circulou no Brasil em 2004 retornou à produção através da reciclagem. Esse índice corresponde à aproximadamente 2 milhões de toneladas. Em 2004, 79% do volume total de papel ondulado consumido no Brasil foi reciclado [fonte: ABRE].

Desde coletas de rua e de locais específicos, o papel é classificado com base no tipo de papel, no peso, no uso, sua cor e se ele foi previamente reciclado. Depois, um banho quente de água e químicas reduz o papel a uma substância fibrosa e pastosa. Depois, ímãs, gravidade e filtros removem coisas como grampos, colas (em inglês) e outras químicas indesejáveis da polpa. A tinta é removida tanto por lavagem química quanto soprando-a para a superfície onde ela é filtrada. A polpa (que pode ser clareada) é então borrifada e enrolada em folhas planas que são pressionadas e secas. Às vezes, polpa nova é acrescida à polpa reciclada para fortalecer o papel. As folhas de papel gigantes, quando secas, são cortadas no tamanho adequado para serem vendidas novamente aos consumidores [fonte: Guia Essencial].

 

Vidro
Reciclar vidro representa economia de energia e custo significante em relação à fabricação de vidro virgem porque virtualmente não há perdas quando o vidro é reciclado. Existem duas maneiras de reciclar o vidro. Algumas empresas coletam garrafas de seus clientes e as limpam e desinfetam completamente antes de reutilizá-las. Outros recicladores de vidro classificam o vidro por cor (claro, verde e marrom não devem ser misturados porque dão um efeito manchado ao vidro). O vidro é assentado em pequenos punhados finos conhecidos como cullet, completamente peneirados e filtrados por meio do uso de lasers, ímãs e peneiras, e depois derretido e convertido em vidro novo.

No Brasil, 46% das embalagens de vidro são recicladas, representando um total de 390 mil toneladas por ano. Desse total, 40% são oriundos da indústria de envaze, 40% do mercado difuso, 10% do "canal frio" (bares, restaurantes, etc) e 10% do refugo da indústria. A reciclagem desse material não é maior devido ao seu peso, o que encarece o custo do transporte da sucata [fonte: ABRE].

 

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Fotógrafo: Quayside | Agência: DreamstimeVidro colorido precisa ser separado antes da reciclagem para evitar cores manchadas

 

Somente o vidro usado em recipientes como jarros e garrafas é comumente reciclado. Vidro de janelas e vidro usado em lâmpadas são muito caros e difíceis de reciclar.

 

Aço
A reciclagem de aço de automóveis e edifícios antigos tem uma longa história. O aço é relativamente fácil de reciclar: máquinas gigantes trituram carros velhos e resíduos de construção. A lei norte-americana, por exemplo, requer que uma determinada proporção de todo aço produzido seja aço reciclado: todo o aço dos Estados Unidos contém, pelo menos, 25% de aço reciclado.

Depois de classificada, a sucata de aço é derretida e refinada novamente em enormes folhas ou bobinas. Essas folhas ou bobinas podem ser enviadas para fabricantes para a produção de carrocerias de carro ou materiais de construção.

Se considerarmos os índices de reciclagem de carros velhos, eletrodomésticos, resíduos de construção civil, ou seja, todos os segmentos do aço e somarmos aos índices das embalagens deste material, o Brasil recicla cerca de 70% de todo o aço produzido anualmente [fonte: ABRE].

 

 

Inovação da reciclagem: o aço do World Trade Center
Muitos dos escombros de aço dos ataques terroristas no World Trade Center foram enviados para a China (um mercado faminto por sucata de metal), ao passo que algumas peças foram recicladas nos Estados Unidos de formas simbólicas. Várias toneladas do aço do Trade Center foram recicladas e usadas para a construção do casco do navio de assalto anfíbio da Marinha americana, o USS New York [fonte: Snopes.com - em inglês].

Pequenos pedaços de aço do World Trade Center foram impressos com bandeiras americanas e usados na construção dos veículos Spirit e Opportunity da Nasa em Marte [fonte: NY Times - em inglês].

Outros itens reciclados

 

Plásticos
O plástico constitui um sério problema porque é muito barato de se produzir e sua biodegradabilidade é muito lenta, em razão de suas cadeias moleculares longas e complexas. Quando o plástico é reciclado, geralmente é transformado em uma nova forma. O plástico é classificado em diferentes tipos e cores, filtrado e peneirado de contaminantes, depois cortado e derretido em bolotas ou extrusado na forma de fibras. Esses materiais podem ser usados de muitas maneiras: tecido de lã acrílica, materiais de construção duráveis, móveis moldados ou material isolante.

Dezesseis e meio por cento dos plásticos rígidos e filme são reciclados em média no Brasil, o que equivale a cerca de 200 mil toneladas por ano. O Brasil ocupa o 4º lugar na reciclagem mecânica do plástico, ficando atrás apenas da Alemanha, Áustria e EUA. Os programas oficiais de coleta seletiva, que existem em mais de 200 cidades do País, recuperam por volta de mil toneladas por ano de garrafas descartáveis.

 

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Foto cedida stock.xchng
Papéis empacotados prontos para serem reciclados

Latas
As latas de alumínio são uma história de sucesso parcial: quando são recicladas, economizam 95% da energia usada para fabricar latas novas, sem mencionar a energia poupada e a poluição causada pela mineração e refinamento da bauxita, o mineral do qual o alumínio provém [fonte: Guia Essencial]. Em 2005, 96,2% da produção brasileira de latas foi reciclada. Em 2003, o índice foi de 89%. Os números brasileiros superam países industrializados como Japão e Estados Unidos [fonte: CEMPRE]. Quando recicladas, as latas são cortadas e depois aquecidas para remover o revestimento de tinta. Os pedaços derretem e se misturam em uma fornalha vortex. Após ser filtrado e tratado, o alumínio derretido é inserido em lingotes, que são enrolados em folhas planas prontas para se transformarem em novas latas [fonte: Guia Essencial].

 

Eletrônicos
Reciclar bens eletrônicos não é tão comum quanto reciclar latas ou plásticos. É bastante trabalhoso separar os muitos componentes de um equipamento eletrônico e os preços de mercado para sucata eletrônica não são altos. De fato, a reciclagem de eletrônicos custa dinheiro aos consumidores e aos negócios, e existe uma variedade de materiais tóxicos que são encontrados neles, como mercúrio, chumbo e refrigerantes químicos. Existem empresas especializadas em reciclar esse "lixo eletrônico", contudo, podem descartar com segurança ou reutilizar esses materiais por uma taxa nominal.

 

Outros
Existem dezenas de outros materiais que podem ser reciclados. O lixo orgânico pode ser compostado e transformado em fertilizante. Os pneus podem ser cortados em tiras, descontaminados e transformados em material isolante ou outros produtos inovadores. Se você está procurando novas maneiras de reciclar, simplesmente pense um pouco quando estiver jogando alguma coisa fora. Isso poderia ser reutilizado ou desmontado de uma maneira útil?

 

Inovação da reciclagem: pneus velhos em campos de futebol
Os milhões de ­automóveis nas estradas criam inúmeros problemas de gestão de resíduos, não menos do que aqueles gerados pelos pneus. Deixados em caçambas, eles podem pegar fogo ou se decompor e liberar componentes tóxicos no solo e lençóis freáticos. Existem, contudo, inúmeros usos novos para pneus velhos. Os pneus são cortados em tiras e filtrados de componentes que não sejam borracha. A Rubber Bark usa as tiras de pneus para criar coberturas de paisagismo [fonte: Rubber Bark - em inglês]. Ainda mais surpreendente, algumas empresas cortam os pneus em pedacinhos e criam um tipo de solo falso usado sobre a área artificial de campos de futebol e futebol americano. Um campo pode usar entre 20 e 40 mil pneus velhos [fonte: American Recycler - em inglês]. Os pedacinhos de borracha preenchem os espaços entre as lâminas de grama artificial, proporcionando estabilidade à superfície e uma sensação mais natural e macia.

Centros de reciclagem

Os programas de reciclagem no mundo assumem cinco formas principais.

 

Recolhimento nas calçadas
Caminhões especiais com contêineres separados para diferentes tipos de materiais recicláveis andam pelas ruas da cidade exatamente como os caminhões de lixo. Os trabalhadores fazem uma classificação prévia dos materiais à medida que os arremessam dentro do caminhão. Algumas comunidades exigem que os moradores classifiquem e separem os materiais recicláveis, mas isso pode reduzir o índice de participação.

 

Centros de descarte
Um local central é estabelecido para aceitar materiais recicláveis que os próprios moradores transportam. Mesmo comunidades com sistemas de recolhimento nas calçadas ainda podem ter centros de descarte para a recuperação de materiais perigosos como tinta ou gás propano.

 

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Foto cedida stock.xchng
Fique atento aos centros de reciclagem em sua área

Buy-back centers
Esses centros são similares aos centros de descarte exceto que eles pagam aos moradores por seus itens com base em valores de mercado. Esses centros são mais comumente vistos como parte de um negócio varejista, como um ferro-velho que compra metal amassado por peso.

Cooperativas de catadores
As cooperativas de reciclagem são organizações compostas por catadores de materiais, em geral, a população pobre da comunidade. Além de coletar materiais descartados em vias públicas, elas comumente firmam convênios com indústrias e condomínios, bem como recebem materiais entregues voluntariamente pela população.

Programas de depósito/refinanciamento
Esses programas são familiares a qualquer um que já tenha comprado uma bebida em lata ou garrafa. O depósito (geralmente cinco centavos) é acrescido ao preço de venda. Você pode então devolver a garrafa ou lata vazios para um centro de coleta e resgatá-los por um reembolso do depósito.

Muitas comunidades lutam para compensar seus programas de reciclagem, nos quais os benefícios de custo dependem da ampliação da participação, o que é difícil de conseguir em grandes áreas urbanas. Se uma municipalidade se compromete com um programa de reciclagem, geralmente torna-se ilegal jogar fora materiais recicláveis. As pessoas, porém, raramente são processadas ou multadas por essa ofensa.

O Brasil é considerado referência para o mundo por meio de seu modelo de reaproveitamento de materiais que nasceu naturalmente do valor econômico destes, gerando simultaneamente ganhos sociais e ambientais, atendendo assim ao estudo internacional compilado no Relatório Nosso Futuro Comum (Eco 92), que evidencia os fatores econômicos, sociais e ambientais como indissoluvelmente ligados.

Assim, tendo em vista a disponibilidade de matéria-prima, o potencial de geração de valor, trabalho e renda nela contida, cujo aproveitamento depende hoje apenas de iniciativas pontuais, a Associação Brasileira de Embalagem - ABRE propõe a criação do Programa Brasileiro da Reciclagem. O objetivo do Programa será articular os agentes responsáveis e identificar os entraves e as oportunidades, propondo diretrizes e ações gerais visando maximizar a reciclagem no Brasil. O Programa Brasileiro de Reciclagem tem por objetivo estimular a reciclagem de embalagens e criar mecanismos para que ela se torne mais abrangente e efetiva, aumentando os elevados índices já computados no Brasil [fonte: ABRE].

 

 

Rei da sucata?

Em 2005, o mercado brasileiro de sucata de latas de alumínio movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão e gerou cerca de 55 mil empregos diretos, reciclando mais de 9,4 bilhões de latas de alumínio, o que representa 127,6 mil toneladas.

Essa sucata é recolhida e armazenada por uma rede de 130 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas.

As latas de alumínio vazias são amassadas por prensas, algumas delas computadorizadas, que fornecem o valor referente a quantidade entregue. O material é enfardado e repassado para indústrias de fundição. Então as latinhas são derretidas e transformadas em lingotes de alumínio. Esses blocos são vendidos para os fabricantes de lâminas de alumínio que, por sua vez, comercializam as chapas para indústrias de lata. O material pode ser reciclado infinitas vezes sem perda de nenhuma de suas características.

Com a evolução desse processo já é possível que uma lata de bebida seja colocada na prateleira do supermercado, vendida, consumida, reciclada, transformada em nova lata, envasada, vendida e novamente exposta na prateleira em apenas 33 dias [fonte: CEMPRE].


Enquanto os Estados Unidos reciclam mais de 30% de seu lixo sólido, alguns países da Europa têm uma taxa muito mais alta. Alemanha, Suécia, Áustria e Holanda desfrutam de taxas de reciclagem de 40 a 60%. A Grécia, Irlanda e Grã-Bretanha, porém, são famosas por suas baixas taxas de reciclagem. No mundo em desenvolvimento, as taxas são ainda piores, e a reciclagem é quase inexistente em muitas nações [fonte: Guia Essencial]. Já o Brasil, mesmo quando comparado a alguns países desenvolvidos, apresenta elevados índices de reciclagem. O país desenvolveu métodos próprios para incrementar essa atividade e o engajamento da população contribui ainda mais para o aumento do índice de embalagens reaproveitadas [fonte: CEMPRE].

 

Críticas à reciclagem

A reciclagem está obtendo cada vez mais aceitação no mundo todo, mas nem todos concordam que essa seja a melhor maneira de lidar com os problemas ambientais do lixo. Existem várias críticas à reciclagem.

 

 

recycle logo
Foto cedida stock.xchng
Observe esse logotipo para saber se um produto é reciclado ou onde existe um centro de reciclagem

 

A reciclagem causa problemas ambientais maiores
O processo de reciclagem de um produto antigo em algo reutilizável usa energia e cria poluição. Os críticos alegam que a reciclagem é simplesmente um jogo que termina empatado, no qual os poluentes e resíduos da fabricação de nossos bens se transformam na indústria da reciclagem. Para alguns tipos de reciclagem, isso pode ser verdade: a compensação entre novos produtos e algumas formas de plástico reciclado, por exemplo, são questionáveis. Existem, contudo, pelo menos várias maneiras de reciclar que oferecem claros benefícios em termos de energia usada, recursos naturais consumidos, poluentes liberados e espaço de aterro utilizado.

 

Não há, de fato, um problema de lixo
Alguns alegam que não existe uma "crise do lixo". Eles dizem que há muito espaço para aterros - aterros são uma maneira segura e simples de armazenar tanto lixo quanto precisamos [fonte: ECOWorld - em inglês]. É verdade que, tecnicamente, existe muito espaço nos países para armazenar o lixo, mas a idéia de encher vales e campos com lixo não atrai muitas pessoas, e certamente menos ainda aquelas que moram próximas desses vales e campos.

 

A reciclagem nos dá uma falsa sensação de segurança
Essa crítica está intimamente ligada à questão de a reciclagem causar seu próprio impacto ambiental. Em razão desse impacto, a reciclagem somente representa uma melhoria menor em relação aos aterros ou incineradores de lixo. Ela faz, porém, as pessoas sentirem que estão realizando alguma coisa importante para proteger o meio ambiente. A reciclagem também pode encorajar uma atitude de consumismo autorizado: as pessoas acham que não há problema em comprar e usar produtos ambientalmente prejudiciais como água engarrafada (em inglês) ou fraldas plásticas porque compensam isso por meio da reciclagem. Esses pontos de vista levam a uma solução definitiva: comprar menos coisas. Comprar bens reutilizáveis ou simplesmente comprar menos coisas das quais não precisamos é a melhor maneira de interromper o fluxo do lixo na fonte.

fonte:Ed Grabianowski.  "HowStuffWorks - Como funciona a reciclagem".  Publicado em 17 de agosto de 2007  (atualizado em 18 de novembro de 2008) http://ambiente.hsw.uol.com.br/reciclagem.htm  (25 de setembro de 2010)

publicado por adm às 16:41

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