Reciclagem

Outubro 24 2010

Nos tempos livres, Ana Gonçalves aproveitava os ensinamentos adquiridos no festival Boom para fazer objectos com produtos aos quais ninguém ia dar uso. Um cinzeiro aqui, candeeiros ali, e resolveu rentabilizar o passatempo. Nasceu em Campo de Ourique, Lisboa, a loja Ecoholic que traz para Portugal um conceito que não estava muito desenvolvido no nosso país: a venda de objectos feitos com lixo e outros, ainda, que ajudem a poupar em casa. Loja onde ainda partilham conhecimentos em workshops de reciclagem.

"O objectivo da loja é vender produtos reciclados e ecológicos. Também aproveitar e, com criatividade, tornar objectos que já não têm uso noutros úteis. Já existe lixo a mais", diz ao DN Ana Gonçalves, que deixou a produção de espectáculos para se dedicar à reciclagem junto com a amiga Isabel Bernardo. A ideia surgiu depois de uma visita a Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde conheceu este conceito. A diferença era a escala: "A loja de lá era do tamanho de um hipermercado, com as prateleiras cheias de objectos reciclados", diz.

Nas lojas com este conceito existem dois tipos de produtos: aqueles que foram feitos reaproveitando resíduos - como um estojo feito com sobras de pneus - e aqueles que promovem a reciclagem lá em casa - como sacos para colocar no autoclismo para poupar água.

Quem "achou piada" foi a vizinhança da Ecoholic e pela loja podem encontrar- -se produtos feitos com lixo dos habitantes da zona. Como uma estante construída com caixas de vinho e forrada com páginas tiradas de revistas antigas. "As pessoas que passavam na loja achavam os produtos giros e começaram a trazer as suas coisas para reciclar. Todos os dias chega algo de alguém", conta Ana Gonçalves.

Aliás, este pode ser a primeira vantagem deste tipo de lojas: ajudam as pessoas a tomar consciência de que o lixo pode ser mais do que apenas resíduos. "A isto chama-se eficácia percebida. Quando as pessoas tomam consciência da importância dos seus gestos para o ambiente. Quando existe este tipo de lojas, os portugueses tendem a aderir ao conceito de forma a dar um contributo para uma causa que acham correcta", explica Carolina Afonso, especialista em marketing ambiental. "A consciência ambiental está na ordem do dia", acrescenta.

Nas lojas como a Ecoholic podem encontrar-se desde amassadores de latas e garrafas - que prensam estes materiais de forma a facilitar o seu transporte - até limas feitas com pernas da boneca Barbie ou jarros transformados em candeeiros solares. A maioria vem de fora, principalmente da Inglaterra e Alemanha, pois em Portugal não há fabrico em série destes produtos. Apesar de tudo ainda há objectos portugueses, como os porta-moedas feitos com cassetes que são produto de uma artesã do Porto.

Esta loja tem apenas duas semanas, mas Ana Gonçalves já tem planeado o próximo passo: dar workshops de reciclagem. "Vamos dar aulas com técnicas de Do It Yourself [Faça você mesmo], como ensinar a fazer sabonetes, pasta de papel, fechos para comida, transformar t-shirts em sacos de compras e tudo o que a imaginação permitir", desvenda a proprietária.

fonte:dn.sapo

publicado por adm às 17:22

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