Reciclagem

Outubro 14 2010

O porcentual de latas de alumínio recicladas nos Estados Unidos caiu de quase 70% em 1993 para 54,2% das unidades consumidas no país, índice bem inferior à média global, de 69%. O dado foi revelado por um estudo da Associação do Alumínio, entidade que reúne todas as produtoras de alumínio instaladas nos EUA, o Life Cycle Analysis (LCA) -- ou Análise de Ciclo de Vida, que quantifica o impacto ambiental de um produto durante toda a sua vida útil, da exploração da matéria prima e produção até a eliminação ou reciclagem.

No Brasil, maior reciclador de alumínio do mundo, 91,5% das latas retornam ao mercado. A meta defendida pela Associação do Alumínio é chegar a 75% de reciclagem em 2015, segundo o seu vice-presidente de Comunicações, Steve Gardner, que esteve neste mês em São Paulo para apresentar o LCA em um evento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Apesar do recuo no reaproveitamento de latinhas, o LCA mostrou que as empresas reduziram em 30% seu consumo de energia e em 44% a pegada de carbono, porque as latas hoje usam 15% a menos de alumínio. Gardner falou ao Planeta sobre o mercado de reciclagem de alumínio nos EUA.

A reciclagem de embalagens de alumínio no Brasil tem sido organizada sob uma lógica centralizada, que culmina com uma recém-aprovada Política Nacional de Resíduos Sólidos pelo Governo Federal. Como é o modelo americano?

Definitivamente, não é centralizado. Como a reciclagem de resíduos sólidos é guiada essencialmente pelo capital e pela iniciativa privada, cada Estado determina ou não as políticas de regulamentação da reciclagem, assim como a sua prioridade. Não há uma taxa nacional, e sim taxas locais. Enquanto alguns possuem um sistema moderno de reciclagem de latinhas, como a Califórnia, outros optam por priorizar áreas como a educação ou a infra-estrutura. É uma escolha que depende dos valores locais.

 

Como funciona a coleta de embalagens de alumínio nos EUA?

Nos 11 Estados em que há coleta organizada, um pacote com seis latas é vendido a uma média de US$ 0,30 pelas associações de coletores às empresas de reciclagem. As latas são separadas por máquinas, recicladas por companhias de folhas de alumínio e retornam ao mercado em até 60 dias. No resto dos EUA, a maioria das latas ainda é jogada fora, ou vendida informalmente e a preços muito pequenos às empresas de reciclagem. Cada lata não-reciclada representa o mesmo desperdício de energia que teríamos se derramássemos metade do seu volume em gasolina.

 

Quem demanda uma pesquisa como a LCA?

É uma demanda que parte tanto dos nossos parceiros como dos consumidores. Havia 17 anos desde o último LCA, e o mercado de reciclagem estava trabalhando com dados muito desatualizados. Em 2007, empresas como o Walmart começaram a requisitar um novo LCA para poder trabalhar com parâmetros que reduzissem mais efetivamente suas pegadas de carbono. A reivindicação também partiu de associações como a Agência de Proteção Ambiental dos EUA. O estudo começou a ser realizado em 2008, financiado por três empresas de folhas de alumínios parceiras (Alcoa, ARCO e Novelis) e conduzido pela PE America, braço da PE International, líder em consultoria corporativa relacionada à sustentabilidade.

 

Quais são seus resultados efetivos?

Os dados coletados, que demonstram índices de uso energético e emissão de carbono das principais companhias recicladoras de alumínio, destacam as empresas mais sustentáveis no mercado. O Walmart, por exemplo, passou a dar vantagem corporativa às que passaram a reciclar mais e reduziram suas pegadas de carbono.

fonte:estadao

publicado por adm às 23:01

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