Reciclagem

Junho 05 2011

"Do lixo a gente faz ouro". Com essa frase, Josemilson Oliveira resume o trabalho realizado em sua fábrica de plástico reciclável, localizada no pólo industrial de Teresina. Por lá, 70 funcionários trabalham na transformação de dez toneladas de plásticos já utilizados e que estavam sem destinação no ambiente por novas embalagens recicladas. A matéria-prima chega através da iniciativa de particulares. "Temos parcerias com donos de restaurantes e supermercados que já fazem uma coleta seletiva do seu descarte para repassar esse material pra gente no final de cada mês", explica Josemilson. Grande parte do plástico é obtido também através dos catadores que fazem seleção no aterro de Teresina.

Na primeira fase do processo, o plástico que estava jogado no lixo é selecionado e lavado, depois ele passa por um processo de secagem, trituração e transformação em resina. Essa resina é redirecionada para a fabricação das novas sacolas plásticas. A empresa começou a investir na produção de sacolas recicladas há cerca de cinco anos, acompanhando o boom do discurso ambiental. Hoje, a fábrica atende clientes no Maranhão, Ceará e Pará. "Estamos falando de um ótimo negócio. E as fábricas que hoje atuam nesse processo não trabalham nem com 10% de todo o descarte de plástico que a cidade de Teresina gera. Quando vejo plástico espalhado nas ruas ou acumulado no aterro sanitário penso no desperdício de dinheiro que isso representa. Todo esse plástico poderia estar sendo reutilizado", explica Josemilson.

Uma das principais críticas do empresário é a ausência de uma política pública que facilite o processo de reciclagem desse material. "Dependemos de iniciativas individuais e já cheguei a adquirir plástico usado do Ceará, que está muito mais avançado nesse processo do que o nosso Estado. O ideal seria envolver as cooperativas de catadores nesse processo, para que elas já nos repassassem o material e os tipos de plástico que não forem úteis para fabricação de sacolas, são úteis para outras fábricas, em outros processos", afirma Josemilson. "Aquilo que eles chamam de coleta seletiva, destinando um lixeiro para cada tipo de lixo é balela. O caminhão passa e mistura tudo novamente. Além do que, existem diferentes tipos de plástico. Uma seleção para a indústria envolveria a separação das variedades de plástico adequadas para cada tipo de produção", explica Josemilson.

Na última semana, a Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e Assistência Social (Semtcas) anunciou a disponibilização dos primeiros pontos de entrega voluntária de lixo em Teresina. A idéia é que a população faça sua própria seleção em casa e despeje o material nos pontos estabelecidos. Diariamente, carros de coleta específicos passarão pelo local para recolher e destinar o material para um galpão da cooperativa de catadores de lixo no aterro sanitário. Seria o primeiro passo para uma coleta seletiva na capital.

Para a gestora ambiental Elaine Aparecida, a solução para a questão dos plásticos passa por um envolvimento de toda a sociedade. Em sua pesquisa, ela observou que nenhuma indústria de plástico apresentou um modelo de política socioambiental de destaque. Tudo o que é feito visa a economia de matéria-prima ou de energia. "A preocupação é mais liga à questões financeiras do que ao meio ambiente", explica Elaine. Mas o poder público também não pode ser omisso. O sucesso da ação passa pela efetiva implantação da coleta seletiva pelo poder público, que só funcionará com o apoio da população.

"Acho difícil imaginar um mundo sem plástico, o que precisamos fazer é encontrar alternativas para utilização desse material, de maneira sustentável", resume Elaine.

fonte:http://www.180graus.com/

publicado por adm às 21:09

Tudo sobre a Reciclagem
pesquisar
 
Pesquisa personalizada
links